quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Gestação pélvica na reta final

 Quando o bebê está sentado, confortavelmente na reta final, a mãe pode criar uma ansiedade. Então, o fantasma da "gestação pélvica na reta final" assombra...

Em via de regra, o bebê se mexe e pode desvirar, comumente até 36ª semana, mas também pode virar próximo ao parto, ou há casos de partos bem sucedidos, em que o bebê nasce sentado... É importante saber como a equipe médica e profissionais que acompanham a gestante, lidam com essa situação.

No Yoga para gestantes, algumas posturas e técnicas respiratórias são recomendadas para lidar com a gestação pélvica. 

Primeiramente, trabalhar a respiração fluida da mãe para que ela restabeleça seu estado natural de tranquilidade. 

Não há controle na gestação, há formas de conduzir a respiração e lidar com situações. Restabelecer a tranquilidade e segurança é uma boa escolha! A respiração com visualizações, associada ao conhecimento adequado sobre o que está passando, é um bom caminho...

Vou colocar aqui, algumas técnicas que podem ser praticadas por gestantes com um olhar atento de um professor de Yoga ou Doula: 

Fazer posturas de semi inversão e liberação seguras, para que não haja risco de alteração brusca de pressão arterial, com a contração do assoalho pélvico e esfincteres, especialmente ao final da exalação:

Nesta posição, a gestante consegue gerar a "inversão" sem riscos. Lembrando que no final da gestação é muito comum alterações da pressão arterial. A gestante durante essa prática com a técnica da contração pode sentir algumas sensações diferenciadas, especialmente porque pode estimular o movimento do bebê.

Dependendo da gestante, a elevação pode ser maior, também pode ter apoio nas costas para maior soltura do pescoço...

Essa postura também pode ser feita por gestantes de um modo geral, sem retenção dos esfincteres, somente com o encaixe pélvico. É sempre importante avaliar caso a caso.



Nesta soltura com o apoio da cadeira, se pode fazer com o mesmo propósito, ativando a contração perínea e dos esfincteres ao final da exalação. 

Na primeira imagem, a gestante além de fazer uma excelente tração na coluna, pode gerar as respirações com contrações, sentindo a firmeza do "aterramento" até os pés. É extremamente benéfica para a sensação de segurança e bem-estar da gestante.

Na continuação, ou segunda imagem, a gestante exercita o "soltar tudo", liberando tensões dos ombros, pescoço, face e pode fazer algumas respirações com as contrações, desde que NÃO SINTA TONTURA.

Nessa posição todo o corpo se solta e vários alongamentos e liberações significativas podem ser gerados com consciência.

Essa posição com intensão de gerar as contrações também pode ser feita com a gestante sentada na cadeira.

Lembrando que para que uma gestante regular pratique essas posturas "gostosas" é importante não gerar contrações. A respiração da gestante também deve ser fluida.  

GESTANTES NÃO DEVEM RETER A RESPIRAÇÃO, SÓ AMPLIÁ-LA!

É sempre importante, em todas as situações de transformação da gestação, lembrar de que a mulher não está fazendo a trajetória gestacional sozinha, que cada gestação tem sua história. É um exercício de percepção importante a ser trabalhado...

A gestante, no entanto, sempre tem ações conscientes que pode escolher, mas não controla o DESENVOLVIMENTO NATURAL da gestação. 

Para essas escolhas consciente, o Yoga tem muitas ferramentas!

Se quiser alguma dica para esse trabalho direcionado, procure um professor de yoga especializado em gestantes.

Yoga para gestantes: Um caminho de consciência para gestar de forma saudável em todas as percepções!

Namastê!

Profª Cristiani W. Bez Matsuoka

@cristianiw.bez 

(48) 99167-6361


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Quando a ansiedade trava a respiração

É muito comum percebermos que quando estamos ansiosas, nossa respiração fica presa, não flui...

Na gestação, pós parto e na vida, essa fluidez é fundamental para nos reconectarmos com nós mesmas e agirmos com tranquilidade.

Muitas gestantes sentem essa trava, muitas vezes configurada como ofegância e acham que é natural da gestação.

A GESTAÇÃO E O PÓS PARTO ATIVAM MAIS PROCESSOS DE ANSIEDADE QUE TRAVAM A RESPIRAÇÃO!

Essa sensação de trava ou ofegância é comum, mas é importante resgatar o fluxo respiratório em todas as fases da gestação, lembrando que a ofegância pode aparecer comumente quando há um esforço aeróbico e a gestante não consegue gerar um ritmo da respiração. Esse ritmo no entanto, pode ser retomado, assim que a gestante liberar o ar residual e sessar o esforço que está fazendo.
É importante ressaltar, que para muitas gestantes, especialmente na reta final, esforços simples, como a subida de um lance de escadas, pode gerar esse descompasso respiratório, mesmo que a gestante tenha um bom preparo físico. Independente disso é fundamental resgatar o ritmo e aprofundamento da respiração. A atividade pode até servir de exercício para isso, se a gestante tiver consciência dessa "retomada de fôlego".

A maioria dos processos de trava da respiração, no entanto, são acionados pela ansiedade... A única forma de diminuir os processos de ansiedade é reorganizar a respiração. Criar esse ritmo pessoal e algumas variantes para liberar excessos e reconectar com o eixo.

É sempre bom lembrar que a ansiedade vem do nosso instinto natural de luta ou fuga, produzindo adrenalina para a ação rápida.
O problema é quando essa descarga é contínua e demasiada, então, gosto de repetir uma frase do Profº Pedro Kupfer, reconhecido professor de Yoga: "A ansiedade é excessiva quando se transforma em uma mãe super protetora (...)". Sim, o excesso de adrenalina nos impede de acessarmos a tranquilidade e a leveza, nos deixa em contínuo "processo de ação".

Esse contínuo processo, esse "excesso", atrapalha em todas as fases da gestação, inclusive no trabalho de parto e amamentação!

No pós parto a nova mãe também visita facilmente esse estado. Sem ritmo pessoal e em função das demandas do bebê, a mãe recém nascida se coloca para fora na atenção ao bebê e não percebe sua respiração, seu eixo, seus estados internos. 
Sempre digo às novas mães que, quando nascem os filhos, iniciamos nosso ritmo de fora para dentro. Nossas sensações internas são deixadas de lado porque todas as "nossas antenas" estão projetadas para os cuidados com o bebê. Assim, o autocuidado e auto acolhimento são fundamentais!

O RESGATE DA RESPIRAÇÃO CONSCIENTE É FUNDAMENTAL PARA ESSA RETOMADA SOBRE AS SENSAÇÕES INTERNAS E O CAMINHO PARA O ACESSO DA TRANQUILIDADE.

Nas aulas de yoga para gestantes e mamães e bebês, sempre reforço a respiração no eixo (texto aqui no blog) como um caminho para se perceber internamente e resgatar o ritmo da respiração em expansão e aterramento.

Visualizar a respiração é fundamental! 

Inspirar e perceber o ar entrar e a energia se expandir para o alto e exalar e sentir a liberação e o aterramento até o assoalho pélvico é uma caminho bem seguro para se reconectar!
Podemos fazer isso de várias formas: 
1. Visualizando e percebendo o ritmo da respiração e aprofundando em "expansão e aterramento" conforme a praticante vai sentindo mais espaços internos.
2. Visualizando o eixo interno entre o topo da cabeça e o períneo e observando o movimento da respiração entre esses dois pontos.
3. Resgatando espaços internos, fazendo uma respiração elevando os ombros até as orelhas na inspiração e exalando e soltando tudo... em seguida, perceber a retomada natural do fluxo da respiração para aprofudá-la.
4. Trazendo uma mão sobre o peito e outra no púbis (baixo ventre) e expandindo na inspiração até inflar o peito, e exalar liberando excessos até a mão que está no baixo ventre, sentindo o movimento da respiração nas mãos. Essa percepção de dentro para fora e vice versa, ajuda muito no resgate do ritmo da respiração.
5. Em um nível mais aprofundado de percepção e visualização, a respiração em SO HAM (também aqui no blog ) é um fantástico exercício para se manter em conexão com a respiração e consigo mesma, nutrindo a tranquilidade.

Há outras técnicas, também citadas aqui no blog ou no instagram, mas gostaria de ressaltar a importância de perceber que a respiração consciente é o veículo para retomar o equilíbrio, desarmando a ansiedade e devolvendo o bem-estar e tranquilidade.

É a única função do sistema nervoso central que podemos interferir com naturalidade para regularizar as demais!

No mais, é importante observar se sua respiração trava no momento da inspiração ou da exalação...
Essa informação pode te ajudar a destravar com mais facilidade, fazendo uso das técnicas adaptadas para esses momentos respiratórios.

DEIXE O PRANA, A VIDA FLUIR EM VOCÊ SEM OBSTÁCULOS!

Qualquer dúvida, pode entrar em contato comigo ou com um professor especializado em Yoga para gestantes e pós parto!

Namastê!
Profª Cristiani Matsuoka
@cristianiw.bez

Obs: Selecionei essa imagem para observarmos quanto prana e fluidez existe na natureza: mesmo com pouco espaço, a árvore brotou de uma fenda na pedra...
Sua respiração se refaz em ritmo e profundidade assim que você der um espaço consciente para ela, mesmo no final da gestação ou na correria com o bebê...



quarta-feira, 29 de julho de 2020

O tempo da gestação, do trabalho de parto, da partolândia

Retomando as postagens do Blog, em tempos de pandemia, com muitas gestantes passando por sensações intensas, resolvi falar sobre O TEMPO.

O TEMPO DA GESTAÇÃO... O TEMPO DO TRABALHO DE PARTO... O TEMPO DA PARTOLÂNDIA...

Muitas gestantes, não só nesse período de isolamento social, mas durante suas gestações, me colocam várias impressões sobre suas sensações em relação ao tempo de gestar.

Muitas falam que o tempo passa muito rápido, não conseguem organizar as coisas como gostariam, como o "programado". Querem deixar  "tudo certo" para a vinda do bebê...
Outras, especialmente na reta final, ficam cheias de expectativas para ver o rostinho do bebê...
Algumas ainda, colocam, desde o primeiro trimestre, suas expectativas e anseios em relação ao parto... como vai transcorrer.

Essas e outras impressões são muito bem vindas para exercitar a MENTE e suas expectativas através das ferramentas do yoga.

"Desarmar" a mente desses controles sobre o desenvolvimento natural da gestação, é o meu maior desafio como professora de Yoga para gestantes!

Quando exercitamos o "soltar tudo" desde o início das práticas,  vamos em um crescente de liberações...
Algumas sentem a soltura dos ombros, que sempre "seguraram", mas fica mais evidente na gestação...
Outras, conseguem se relacionar melhor com os quadris, especialmente com o nervo ciático...
Algumas ainda vão observar a necessidade de se relacionar melhor com a coluna, soltando as tensões e sustentando o eixo...

Quando chega na reta final, esse conceito de "soltar tudo" fica mais claro, mas precisa ficar mais presente, a partir da mente...

Os exercícios de respiração para trabalhar essa soltura, associado à pratica de posturas já adequadas ao momento gestacional são importantes para acomodar as contrações e perceber que essas sensações fazem parte da liberação do corpo para o parto. Não é uma dor aleatória e deve ser observada e sentida não como "reação dolorosa" e sim como uma forma do corpo se preparar para o parto.
Sim, é dor... mas se não dermos a gradação devida, desenvolver a percepção adequada,  a sensação dolorosa será bem maior!

É uma conquista muito especial criar essa percepção na mente e expandi-la para o corpo.

As práticas de Yoga Nidra, relaxamento consciente, direcionado para essa liberação também gera um efeito muito positivo e eficaz na mente, tranquilizando a gestante, trazendo mais centramento e liberação de excessos, especialmente o medo...

Essa prática direcionada às gestantes são ferramentas para a vida, especialmente com a chegada do novo membro da família, que é muito esperado, mas traz com sua chegada, demandas bastante intensas para a mulher e a família...
Aprender a perceber a mente no tempo real, suas sensações e expectativas associadas ao corpo, vai favorecer muito o pós-parto, em todos os sentidos.

Vamos falar de partolândia... Uma etapa do trabalho de parto em que as mulheres ficam como sob um efeito anestésico e esquecem fases do processo... perdem a relação com o tempo cronológico.
Uma bênção, não é?!
Todas as parturientes que chegam à dilatação ideal para o parto, passam de alguma forma pela partolândia, mas muitas não percebem esse "fenômeno". A primeira questão é que esse espaço/tempo mental não é cronológico, depois, como essa sensação começa com a presença do hormônio Ocitocina, acontece na mente e é transmitida ao corpo (o colo do útero fica completamente dilatado). Algumas mães relaxam profundamente nesse momento...

Se as parturientes que têm essa descarga de ocitocina e chegam à expulsória passam por esse período, por que todas não sentem?
Há alguns aspectos que poderíamos abordar, como o ambiente do parto, o apoio... mas vou focar na relação do funcionamento da mente, dos controles e medos... o principal olhar do Yoga relativo à partolândia, ao trabalho de parto como um todo.

Depois de acompanhar e auxiliar mais de 150 gestantes, percebo que quando geramos esse trabalho completo de "desarmar" a mente e soltar o corpo adequadamente dentro da fisiologia da gestação, tudo flui com mais tranquilidade. Exercitar o autocuidado com amorosidade e leveza,  sem que a mãe se coloque inúmeros desafios e cobranças, buscado ter a "melhor" performance física, programando tudo e até "definindo" como vai ser seu parto, cria uma outra disposição na mente da nova mãe e mulher...

É um maravilhoso exercício de entrega... a si mesma... ao momento especial que está vivendo...

Hoje estou dando aulas online para gestantes e pós-parto e uma das mães, na 3ª gestação, após 2 partos normais, naturais, me contou, desde a 28ª semana, que gostaria de ter um parto mais consciente... mais tranquilo... com menos receios...
Estamos exercitando muitas percepções... reconstruindo muitos conceitos... especialmente a relação com as dores da contração e com a pressa... o tempo...

Yoga para gestantes: uma relação com o tempo real, o tempo sagrado! Viva cada momento, sem pressa, com sabedoria, amorosidade e leveza...

Namastê!
Profª Cristiani Matsuoka
@cristianiw.bez

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Abundância de energia na gestação



Na gestação, muitas vezes nos sentimos cansadas, registrando alguns desconfortos, que envolvem sensações no digestório, peso, etc.
O desenvolver da placenta, o aumento do útero, etc, vão gastando energia... mas precisamos reativá-la com consciência.

É importante nos lembrarmos de que o bebê se desenvolve no ventre e todos os órgãos ficam mexidos com o desenvolver da gestação e também a energia da gestante pode estar mais focada nesse ponto...

A relação de abundância na gestação, começa com a circulação adequada da energia!

Se retemos a energia nos ombros, por exemplo, a respiração trava...se deixamos a respiração curta, nos sentimos ainda mais cansadas...

É fundamental nos relacionarmos com a fluidez da energia, respirando com profundidade e experimentando ampliar o nosso potencial respiratório. Essa sensação de espaços internos, registra a presença da abundância de bem-estar e de tranquilidade.

Assim, experimente Ujjyai pranayama,(texto com vídeo no blog), associado a movimentos simples de espaçamento entre as costelas e vértebras e vai visitar a sensação da abundância de espaços internos...

Faça a adequação da sensação da energia de expansão e aterramento no seu corpo, distribuindo adequadamente o que precisa ativar e o que é necessário liberar em você, que vai sentir o registro da abundância.

Nas aulas de Yoga para gestantes sentimos a ativação da musculatura de sustentação e a liberação dos ombros, dos espaços no ventre e nas costas. Através de técnicas respiratórias específicas, liberamos também, desconfortos digestórios. Lembrando sempre de que já temos bastante estímulo no ventre, o que pode gerar mais sensações, como mais produção de suco gástrico no estômago, peso, etc. Assim, é fundamental circular essa energia com consciência.

Nessa postura em movimento, a gestante cria espaços no centro do peito e entre as mãos, com expansão e aterramento, gera uma sutil torção na coluna, ativando o períneo e liberando espaços entre os órgãos.

É importante lembrar que se o ar fica retido no peito e os ombros tensos, é como se enchêssemos um balão de ar. Esse ar preso, só fica retesado, não tem mais função. (Experimente liberar as tensões dos ombros – texto no blog)

Com esse movimento, a gestante cria espaços nas laterais do tronco, entre as costelas, se alonga lateralmente, ativando os braços, mas afastando com consciência os ombros das orelhas.

Energia parada é estagnação, que é o oposto de abundância... Busque sentir a fluidez...

Nesse vídeo, agestante, já de reta final, associa movimentos à respiração, ativando a musculatura de sustentação e liberando espaços internos e tensões.


Comece seu dia então, acessando a abundância de poder perceber a sua respiração e poder ampliá-la, acessando cada vez mais espaços internos, independente do seu período gestacional.
Visualize a sua respiração e seus espaços internos se expandindo... Crie essa percepção (veja o texto sobre visualização interna)

Crie o seu potencia de abundância com consciência  e agradeça cada conquista no seu dia e no seu processo gestacional!

Namastê!
Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Técnicas de visualização interna



É muito importante desenvolvermos o potencial de internalização em todas as fases da vida, para relaxar, concentrar, se perceber...

Na gestação, poder gerar as visualizações internas que conectem a mãe com suas sensações, com o seu bebê e também com o seu potencial de conduzir a energia da melhor forma, é uma maravilhosa ferramenta.

Uma técnica de percepção da respiração e seus movimentos, conhecida como Japa ajapa, pode ser adaptada para as práticas de posturas e técnicas respiratórias, desenvolvendo e potencializando esse exercício de internalização e o movimento consciente da energia.

São muitos os benefícios dessa técnica: reorganização do ritmo respiratório, adequação do movimento da energia interna, internalização consciente, tranquilização da mente, aumento do potencial de concentração, etc.

Buscando o alinhamento da coluna, mesmo em posturas de inclinação, pode-se adaptar essa técnica, visualizando a respiração com movimentos associados.

Nessa postura a gestante visualiza a energia subir na inspiração, do cóccix ao topo da cabeça, e aterrar na exalação, dos intercílios ao períneo. (segue vídeo)


Uma percepção circular, enquanto trabalha o alongamento da região ciática e virilhas, afasta os ombros das orelhas, ativa as costas, braços e mãos.



Uma condução básica, que sempre indico dessa técnica é:
Ao inspirar, visualize o ar entrando e a coluna se expandindo para o alto; ao exalar, o ar vai saindo pelas narinas e você registra o esvaziamento até o baixo ventre. Expansão e aterramento conscientes.

Podemos fazer percepções ainda mais específicas, como visualizar o movimento da respiração entre dois pontos: o ar sempre entra e sai pelas narinas. O praticante, sentado com a coluna ereta, visualiza um tubo transparente entre a garganta e o umbigo. Quando o ar entra, sente expandir do umbigo a garganta; quando o ar sai, sente esvaziar da garganta ao umbigo.
Lembre-se sempre de compreender bem os comandos internos para que a técnica movimente a energia adequadamente.

No texto de hoje, vou deixar um vídeo com a prática de uma postura simples com visualização, para sentir os espaços internos, acessando e potencializando os benefícios da postura. Perceba que poderá adaptar essa visualização em várias posturas, sempre atenta à respiração e seus movimentos internos!
Pratique sempre o que se sentir segura! Peça auxílio de um professor habilitado, se tiver dúvidas.

Namastê!
Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Dicas para aulas de mamãe e bebê



A mulher no pós-parto tem muitas alterações químicas, muitas transformações. O bebê agora está fora do ventre e demanda uma atenção e comunicação diferenciadas.
No chamado pueripério, o útero da mulher começa a retornar ao tamanho da pré-gestação, o bebê demanda da mãe para atender as suas necessidades fisiológicas e muitas vezes a mãe esquece do autocuidado.

Todos esses processos podem ser estressantes para a mãe, até mesmo a amamentação, mas ela também está vivendo a bênção da maternidade... São sensações conflitantes, muito comuns no pós-parto.

Preparei então, algumas sugestões que podem ser úteis na elaboração das práticas de mamãe e bebê.

Para que a mãe se reconecte, acessando seu bem-estar, é importante ter momentos de introspecção, consciência da respiração, movimentos de liberação das tensões dos ombros e costas, alinhamento da coluna e ativação do baixo ventre e períneo, para retornar ao seu estado natural de sustentação, reorganizando novamente os órgãos no ventre.

É bem positivo para mãe e bebê começarem as práticas em grupo após os 2 meses, ou até um pouco antes. O professor deve estar atento à faixa etária dos bebês no mesmo grupo e também na quantidade de participantes, para gerar o estímulo adequado aos bebês e o acolhimento mais eficaz para as mães. Com 2 a 4 ou 5 duplas, as dinâmicas e trocas são bem estimulantes, mas se tiver uma única dupla, também é especial.

Em aulas no Chidananda Yoga em São Paulo, cheguei a dar aulas para até 6 duplas, mas as mães tinham feito aula durante toda a gestação e já havia uma conexão especial com as mães e com os bebês... a meu ver, isso é um facilitador especial!



Sugiro grupos de 2 a 5 meses, mais ou menos e grupos de 6 a nove meses...


As mães, nesse primeiro ciclo de pós-parto, têm uma demanda maior, para sua reintegração.

É importante saber se o parto foi cesário, pois vai requerer mais cuidados na reconexão do ventre e baixo-ventre nas primeiras aulas. É fundamental estimular a respiração Ujjyai, o acesso ao eixo e os bandhas para essa reconexão.

Essas práticas também estimulam a sensação de sustentação, do físico ao sutil.
No parto vaginal, esses cuidados também se fazem importantes, mas não há a fragilidade da cirurgia.

- É fundamental o bom senso do professor nessas práticas.
- Fazer “mais” não é uma boa dica para o começo desse resgate, o acesso à interiorização através dos olhos fechados e a consciência da respiração é uma grande conquista!
- Sentir o abdômen em posturas com o ventre apoiado em uma almofada ou nas suas coxas,pode ser uma redescoberta de seu espaço, de ter o seu abdômen de volta. É comum as mães sentirem a saudade da barriga, assim, estimular essa reconexão com o seu corpo, seu ventre, é especial.



- Também posturas com os bebês que acesse a energia do abdômen, aos poucos, são estimulantes para a dupla.

- Trabalhar mulabandha e uddyana bandha com a consciência no eixo.
- Orientar práticas em que a mãe possa sentir as costas no solo para a acomodação e realinhamento da coluna, soltura dos ombros e escápulas e também posturas de acesso ao alinhamento dos pés aos quadris.
- Em posturas de pé, sentada ou deitada com levantamento pélvico, estimular esse reencaixe dos quadris, sempre acessando os bandhas. Isso é bastante importante, pois independente do tipo de parto, os quadris registram a informação de expansão, abertura e muitas vezes a mulher não se dá conta.



- Dar esse comando de reencaixe, realinhamento dos quadris com os bandhas é importante para evitar até mesmo processos de incontinência urinária.
- Estabeleça sequencias de técnicas respiratórias e posturas curtas, para que a mãe possa se perceber antes de voltar sua atenção ao bebê. A qualidade dessa integração é bem especial, quando a mãe se percebeu e já eliminou alguns excessos.
- Busque gerar inicialmente posturas simples que trabalhem os movimentos da coluna ( ver texto no blog)
- Trabalhe posturas que liberem os ombros, lembre-se de que a mãe leva o bebê no colo para várias funções e muitas vezes só se dá conta desse novo sobrepeso através das dores nas costas.
- Trabalhe técnicas respiratórias de acesso ao ventre, ativando a energia do CORE. Kappalabhati e BhastriKa são bem-vindas para limpar a mente e liberar emoções.
- técnicas respiratórias tranquilizadoras são sempre bem-vindas, especialmente antes do relaxamento.
- Relaxamento conduzido com a visualização de partes do corpo para a liberação pode ser bem eficaz.

Para os bebês, coloca-los próximos uns dos outros, facilita a dinâmica de estímulos externos, além dos sons. A percepção do outro, especialmente após os 2 meses, 3, é bastante especial.
É importante observar os bebê, após o 4º mês, que muitas vezes querem tocar o outro bebê, mas não têm noção de força e local. O olho do “amiguinho” é bem chamativo.

Já falamos em outros textos do blog sobre estímulos sonoros, toque nos pés e também estímulo visual, hoje pontuo essa interação que é bastante estimulante para os pequenos.

Na sua condução das aulas mamãe e bebê lembre-se de estimular a tranquilidade e bem-estar da mãe para que ela transmita essa sensação ao bebê, que é bastante perceptivo da energia da mãe.
Lembre-se também de estimular a mãe a se perceber e continuar em casa, especialmente práticas respiratórias com os olhos fechados.

Gosto de citar o exemplo do avião: “primeiro coloque a máscara em você para depois colocar na criança ou pessoa de sua dependência”.

O autocuidado da mãe é fundamental para que possa dar a atenção adequada e curtir o seu bebê, liberando os excessos que fazem parte do pós-parto.
Essa aula tem uma vibração de muito amor e entrega...

Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Adaptações nas aulas para gestantes: um olhar especial



O olhar especial do instrutor é muito importante nas aulas de yoga para gestantes. Gerar adaptações seguras de acordo com o período gestacional é fundamental.

Ainda que a gestante seja praticante de yoga, deve-se considerar o espaço ventral e as alterações de hormônio.
Assim, perceber a energia da postura e buscar um apoio para que a gestante sinta com segurança o que o professor quer transmitir através da postura psicofísica escolhida, deve ser o propósito, para que sinta os benefícios da prática.

Lembre-se, por exemplo, de que posturas que trazem aterramento, trazem também sensação de sustentação, de firmeza, que pode ser percebida em pontos do corpo da gestante e também como sensação na mente e emoções. Trabalhar a consciência do períneo para essa percepção é fundamental.

Conquistar, mesmo que com apoio, uma postura aérea em um dia mais agitado pode ser uma percepção bastante especial para a gestante!

Adaptar as posturas, não significa “fazer menos” e sim, sentir melhor os benefícios, com mais segurança.

É sempre importante o professor de Yoga para gestantes se lembre de que está orientando e também cuidando de dois seres em constante transformação... às vezes a mãe demora um pouco para “aceitar” ou "perceber de forma consciente as oscilações naturais, as acomodações e acolhimentos que a gestação sugere, mas o professor deve ter esse olhar atento.

Para as práticas de yoga para gestantes, lembre-se sempre de trazer o foco ao eixo interno e técnicas respiratórias e de visualização que sugiram o retorno a esse eixo. (busque no blog esses textos sobre eixo interno e técnicas respiratórias)

Proponha-se a oferecer posturas que trabalhem a consciência sobre os movimentos da coluna que constitui um eixo bastante importante a ser observado (Texto sobre os movimentos da coluna)

Faça as adaptações necessárias para as gestantes. Talvez você precise dar sequências sentadas naquele dia, mas se a disposição das praticantes for boa, sugira posturas de equilíbrio e aterramento também de pé para ativar a sustentação, como variantes adaptadas de Virabhadrasana, Vrkshasana, Utthita e Parivrta Trikonasana.
Vão ajudar em várias ativações e alongamentos.

 Nesta imagem as gestantes passaram do Virabhadrasana I para uma torção com expansão do centro do peito. Bastante consciência na percepção expansão e aterramento. A ativação do períneo também é importante, seja associada à respiração ou como sensação de sustentação.

 Este é um exemplo de adaptação de Trikonasana. Com o apoio da cadeira, podem sentir os benefícios da postura fazendo a variante de alinhamento ou torção. A percepção do aterramento e sustentação são melhor ativados quando sentem o apoio.


 Nesta variante de Trikonasana com apoio na parede, as gestantes podem fazer várias percepções, desde expansão do centro do peito e liberação dos ombros, até o aterramento no períneo e planta dos pés. Pode ser feita em movimento com a variante de torção. (Você encontra o vídeo no blog)


Nesta imagem, uma variação de Parivrtta Trikonasana em movimento, para soltar a parte superior do corpo, sem perder de vista o aterramento.



Lembre-se também das posturas clássicas como Catuspadasana e as variantes de ativação das pernas e pés que pode adaptar.




Para a prática do Suryanamaskara, lembre-se de que não é adequada no primeiro trimestre e após o 6º mês, mesmo que a gestante seja praticante, por conta das alterações hormonais. Entre o 6º mês e o início do último trimestre é mais uma questão de adaptação ao sobre peso e no último trimestre, especialmente após a 30ª semana, temos novamente as oscilações hormonais que podem interferir na pressão arterial para o alto e para baixo.

- Lembre-se de que cada mulher tem uma história única e a gestação é sempre uma dupla!

- Lembre-se de que você sugere a prática segura, pois está cuidando e não praticando.

- Lembre-se de evitar o hiperaquecimento ventral a partir de técnicas respiratórias e sugestão de posturas.


Assim, sugira adaptação para o Caturanga dandasana, com a colocação dos joelhos no solo. Sugira também, adaptações com a cabeça ( que não deve descer) e flexão de joelhos nas posições semi-invertidas, pois não são recomendadas especialmente por conta das alterações hormonais.

Pessoalmente eu prefiro indicar a adaptação do suryanamaskara de parede (não há contra-indicações), ou o clássico com mais respirações conscientes em cada passagem e com adaptações em Ashwa sanchalasanana (afastamento da perna da frente e joelho oposto no solo), evitar passagem pela posição ashtangasana, bhujangasana (com joelhos no solo) e parvatasana (com joelhos no solo ou com a cabeça erguida e olhar fixo a frente), mas o professor precisa avaliar uma série de fatores, na condução da prática, dentre eles, a expectativa e histórico da gestante.

Conduza a percepções de interiorização, pois muitas alterações estão acontecendo dentro da mulher e no desenvolvimento do seu bebê... A mulher se transformar em mãe, já é um grande desafio...
Quanto mais acessar seu estado natural de tranquilidade, segurança e bem-estar, melhor acomoda todas as sensações...

O relaxamento conduzido é fundamental! Sugira percepções pelo corpo e propósitos de tranquilidade e segurança...
Lembre-se de que o bebê se desenvolve no Manipura chakra e faz parte da “jóia” que a mãe está cultivando como propósito!

Lembre-se de sua responsabilidade em cuidar, em perceber com um olhar especial os aspectos sutis da gestação...

Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
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Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
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