quarta-feira, 29 de julho de 2020

O tempo da gestação, do trabalho de parto, da partolândia

Retomando as postagens do Blog, em tempos de pandemia, com muitas gestantes passando por sensações intensas, resolvi falar sobre O TEMPO.

O TEMPO DA GESTAÇÃO... O TEMPO DO TRABALHO DE PARTO... O TEMPO DA PARTOLÂNDIA...

Muitas gestantes, não só nesse período de isolamento social, mas durante suas gestações, me colocam várias impressões sobre suas sensações em relação ao tempo de gestar.

Muitas falam que o tempo passa muito rápido, não conseguem organizar as coisas como gostariam, como o "programado". Querem deixar  "tudo certo" para a vinda do bebê...
Outras, especialmente na reta final, ficam cheias de expectativas para ver o rostinho do bebê...
Algumas ainda, colocam, desde o primeiro trimestre, suas expectativas e anseios em relação ao parto... como vai transcorrer.

Essas e outras impressões são muito bem vindas para exercitar a MENTE e suas expectativas através das ferramentas do yoga.

"Desarmar" a mente desses controles sobre o desenvolvimento natural da gestação, é o meu maior desafio como professora de Yoga para gestantes!

Quando exercitamos o "soltar tudo" desde o início das práticas,  vamos em um crescente de liberações...
Algumas sentem a soltura dos ombros, que sempre "seguraram", mas fica mais evidente na gestação...
Outras, conseguem se relacionar melhor com os quadris, especialmente com o nervo ciático...
Algumas ainda vão observar a necessidade de se relacionar melhor com a coluna, soltando as tensões e sustentando o eixo...

Quando chega na reta final, esse conceito de "soltar tudo" fica mais claro, mas precisa ficar mais presente, a partir da mente...

Os exercícios de respiração para trabalhar essa soltura, associado à pratica de posturas já adequadas ao momento gestacional são importantes para acomodar as contrações e perceber que essas sensações fazem parte da liberação do corpo para o parto. Não é uma dor aleatória e deve ser observada e sentida não como "reação dolorosa" e sim como uma forma do corpo se preparar para o parto.
Sim, é dor... mas se não dermos a gradação devida, desenvolver a percepção adequada,  a sensação dolorosa será bem maior!

É uma conquista muito especial criar essa percepção na mente e expandi-la para o corpo.

As práticas de Yoga Nidra, relaxamento consciente, direcionado para essa liberação também gera um efeito muito positivo e eficaz na mente, tranquilizando a gestante, trazendo mais centramento e liberação de excessos, especialmente o medo...

Essa prática direcionada às gestantes são ferramentas para a vida, especialmente com a chegada do novo membro da família, que é muito esperado, mas traz com sua chegada, demandas bastante intensas para a mulher e a família...
Aprender a perceber a mente no tempo real, suas sensações e expectativas associadas ao corpo, vai favorecer muito o pós-parto, em todos os sentidos.

Vamos falar de partolândia... Uma etapa do trabalho de parto em que as mulheres ficam como sob um efeito anestésico e esquecem fases do processo... perdem a relação com o tempo cronológico.
Uma bênção, não é?!
Todas as parturientes que chegam à dilatação ideal para o parto, passam de alguma forma pela partolândia, mas muitas não percebem esse "fenômeno". A primeira questão é que esse espaço/tempo mental não é cronológico, depois, como essa sensação começa com a presença do hormônio Ocitocina, acontece na mente e é transmitida ao corpo (o colo do útero fica completamente dilatado). Algumas mães relaxam profundamente nesse momento...

Se as parturientes que têm essa descarga de ocitocina e chegam à expulsória passam por esse período, por que todas não sentem?
Há alguns aspectos que poderíamos abordar, como o ambiente do parto, o apoio... mas vou focar na relação do funcionamento da mente, dos controles e medos... o principal olhar do Yoga relativo à partolândia, ao trabalho de parto como um todo.

Depois de acompanhar e auxiliar mais de 150 gestantes, percebo que quando geramos esse trabalho completo de "desarmar" a mente e soltar o corpo adequadamente dentro da fisiologia da gestação, tudo flui com mais tranquilidade. Exercitar o autocuidado com amorosidade e leveza,  sem que a mãe se coloque inúmeros desafios e cobranças, buscado ter a "melhor" performance física, programando tudo e até "definindo" como vai ser seu parto, cria uma outra disposição na mente da nova mãe e mulher...

É um maravilhoso exercício de entrega... a si mesma... ao momento especial que está vivendo...

Hoje estou dando aulas online para gestantes e pós-parto e uma das mães, na 3ª gestação, após 2 partos normais, naturais, me contou, desde a 28ª semana, que gostaria de ter um parto mais consciente... mais tranquilo... com menos receios...
Estamos exercitando muitas percepções... reconstruindo muitos conceitos... especialmente a relação com as dores da contração e com a pressa... o tempo...

Yoga para gestantes: uma relação com o tempo real, o tempo sagrado! Viva cada momento, sem pressa, com sabedoria, amorosidade e leveza...

Namastê!
Profª Cristiani Matsuoka
@cristianiw.bez

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Abundância de energia na gestação



Na gestação, muitas vezes nos sentimos cansadas, registrando alguns desconfortos, que envolvem sensações no digestório, peso, etc.
O desenvolver da placenta, o aumento do útero, etc, vão gastando energia... mas precisamos reativá-la com consciência.

É importante nos lembrarmos de que o bebê se desenvolve no ventre e todos os órgãos ficam mexidos com o desenvolver da gestação e também a energia da gestante pode estar mais focada nesse ponto...

A relação de abundância na gestação, começa com a circulação adequada da energia!

Se retemos a energia nos ombros, por exemplo, a respiração trava...se deixamos a respiração curta, nos sentimos ainda mais cansadas...

É fundamental nos relacionarmos com a fluidez da energia, respirando com profundidade e experimentando ampliar o nosso potencial respiratório. Essa sensação de espaços internos, registra a presença da abundância de bem-estar e de tranquilidade.

Assim, experimente Ujjyai pranayama,(texto com vídeo no blog), associado a movimentos simples de espaçamento entre as costelas e vértebras e vai visitar a sensação da abundância de espaços internos...

Faça a adequação da sensação da energia de expansão e aterramento no seu corpo, distribuindo adequadamente o que precisa ativar e o que é necessário liberar em você, que vai sentir o registro da abundância.

Nas aulas de Yoga para gestantes sentimos a ativação da musculatura de sustentação e a liberação dos ombros, dos espaços no ventre e nas costas. Através de técnicas respiratórias específicas, liberamos também, desconfortos digestórios. Lembrando sempre de que já temos bastante estímulo no ventre, o que pode gerar mais sensações, como mais produção de suco gástrico no estômago, peso, etc. Assim, é fundamental circular essa energia com consciência.

Nessa postura em movimento, a gestante cria espaços no centro do peito e entre as mãos, com expansão e aterramento, gera uma sutil torção na coluna, ativando o períneo e liberando espaços entre os órgãos.

É importante lembrar que se o ar fica retido no peito e os ombros tensos, é como se enchêssemos um balão de ar. Esse ar preso, só fica retesado, não tem mais função. (Experimente liberar as tensões dos ombros – texto no blog)

Com esse movimento, a gestante cria espaços nas laterais do tronco, entre as costelas, se alonga lateralmente, ativando os braços, mas afastando com consciência os ombros das orelhas.

Energia parada é estagnação, que é o oposto de abundância... Busque sentir a fluidez...

Nesse vídeo, agestante, já de reta final, associa movimentos à respiração, ativando a musculatura de sustentação e liberando espaços internos e tensões.


Comece seu dia então, acessando a abundância de poder perceber a sua respiração e poder ampliá-la, acessando cada vez mais espaços internos, independente do seu período gestacional.
Visualize a sua respiração e seus espaços internos se expandindo... Crie essa percepção (veja o texto sobre visualização interna)

Crie o seu potencia de abundância com consciência  e agradeça cada conquista no seu dia e no seu processo gestacional!

Namastê!
Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Técnicas de visualização interna



É muito importante desenvolvermos o potencial de internalização em todas as fases da vida, para relaxar, concentrar, se perceber...

Na gestação, poder gerar as visualizações internas que conectem a mãe com suas sensações, com o seu bebê e também com o seu potencial de conduzir a energia da melhor forma, é uma maravilhosa ferramenta.

Uma técnica de percepção da respiração e seus movimentos, conhecida como Japa ajapa, pode ser adaptada para as práticas de posturas e técnicas respiratórias, desenvolvendo e potencializando esse exercício de internalização e o movimento consciente da energia.

São muitos os benefícios dessa técnica: reorganização do ritmo respiratório, adequação do movimento da energia interna, internalização consciente, tranquilização da mente, aumento do potencial de concentração, etc.

Buscando o alinhamento da coluna, mesmo em posturas de inclinação, pode-se adaptar essa técnica, visualizando a respiração com movimentos associados.

Nessa postura a gestante visualiza a energia subir na inspiração, do cóccix ao topo da cabeça, e aterrar na exalação, dos intercílios ao períneo. (segue vídeo)


Uma percepção circular, enquanto trabalha o alongamento da região ciática e virilhas, afasta os ombros das orelhas, ativa as costas, braços e mãos.



Uma condução básica, que sempre indico dessa técnica é:
Ao inspirar, visualize o ar entrando e a coluna se expandindo para o alto; ao exalar, o ar vai saindo pelas narinas e você registra o esvaziamento até o baixo ventre. Expansão e aterramento conscientes.

Podemos fazer percepções ainda mais específicas, como visualizar o movimento da respiração entre dois pontos: o ar sempre entra e sai pelas narinas. O praticante, sentado com a coluna ereta, visualiza um tubo transparente entre a garganta e o umbigo. Quando o ar entra, sente expandir do umbigo a garganta; quando o ar sai, sente esvaziar da garganta ao umbigo.
Lembre-se sempre de compreender bem os comandos internos para que a técnica movimente a energia adequadamente.

No texto de hoje, vou deixar um vídeo com a prática de uma postura simples com visualização, para sentir os espaços internos, acessando e potencializando os benefícios da postura. Perceba que poderá adaptar essa visualização em várias posturas, sempre atenta à respiração e seus movimentos internos!
Pratique sempre o que se sentir segura! Peça auxílio de um professor habilitado, se tiver dúvidas.

Namastê!
Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/





quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Dicas para aulas de mamãe e bebê



A mulher no pós-parto tem muitas alterações químicas, muitas transformações. O bebê agora está fora do ventre e demanda uma atenção e comunicação diferenciadas.
No chamado pueripério, o útero da mulher começa a retornar ao tamanho da pré-gestação, o bebê demanda da mãe para atender as suas necessidades fisiológicas e muitas vezes a mãe esquece do autocuidado.

Todos esses processos podem ser estressantes para a mãe, até mesmo a amamentação, mas ela também está vivendo a bênção da maternidade... São sensações conflitantes, muito comuns no pós-parto.

Preparei então, algumas sugestões que podem ser úteis na elaboração das práticas de mamãe e bebê.

Para que a mãe se reconecte, acessando seu bem-estar, é importante ter momentos de introspecção, consciência da respiração, movimentos de liberação das tensões dos ombros e costas, alinhamento da coluna e ativação do baixo ventre e períneo, para retornar ao seu estado natural de sustentação, reorganizando novamente os órgãos no ventre.

É bem positivo para mãe e bebê começarem as práticas em grupo após os 2 meses, ou até um pouco antes. O professor deve estar atento à faixa etária dos bebês no mesmo grupo e também na quantidade de participantes, para gerar o estímulo adequado aos bebês e o acolhimento mais eficaz para as mães. Com 2 a 4 ou 5 duplas, as dinâmicas e trocas são bem estimulantes, mas se tiver uma única dupla, também é especial.

Em aulas no Chidananda Yoga em São Paulo, cheguei a dar aulas para até 6 duplas, mas as mães tinham feito aula durante toda a gestação e já havia uma conexão especial com as mães e com os bebês... a meu ver, isso é um facilitador especial!



Sugiro grupos de 2 a 5 meses, mais ou menos e grupos de 6 a nove meses...


As mães, nesse primeiro ciclo de pós-parto, têm uma demanda maior, para sua reintegração.

É importante saber se o parto foi cesário, pois vai requerer mais cuidados na reconexão do ventre e baixo-ventre nas primeiras aulas. É fundamental estimular a respiração Ujjyai, o acesso ao eixo e os bandhas para essa reconexão.

Essas práticas também estimulam a sensação de sustentação, do físico ao sutil.
No parto vaginal, esses cuidados também se fazem importantes, mas não há a fragilidade da cirurgia.

- É fundamental o bom senso do professor nessas práticas.
- Fazer “mais” não é uma boa dica para o começo desse resgate, o acesso à interiorização através dos olhos fechados e a consciência da respiração é uma grande conquista!
- Sentir o abdômen em posturas com o ventre apoiado em uma almofada ou nas suas coxas,pode ser uma redescoberta de seu espaço, de ter o seu abdômen de volta. É comum as mães sentirem a saudade da barriga, assim, estimular essa reconexão com o seu corpo, seu ventre, é especial.



- Também posturas com os bebês que acesse a energia do abdômen, aos poucos, são estimulantes para a dupla.

- Trabalhar mulabandha e uddyana bandha com a consciência no eixo.
- Orientar práticas em que a mãe possa sentir as costas no solo para a acomodação e realinhamento da coluna, soltura dos ombros e escápulas e também posturas de acesso ao alinhamento dos pés aos quadris.
- Em posturas de pé, sentada ou deitada com levantamento pélvico, estimular esse reencaixe dos quadris, sempre acessando os bandhas. Isso é bastante importante, pois independente do tipo de parto, os quadris registram a informação de expansão, abertura e muitas vezes a mulher não se dá conta.



- Dar esse comando de reencaixe, realinhamento dos quadris com os bandhas é importante para evitar até mesmo processos de incontinência urinária.
- Estabeleça sequencias de técnicas respiratórias e posturas curtas, para que a mãe possa se perceber antes de voltar sua atenção ao bebê. A qualidade dessa integração é bem especial, quando a mãe se percebeu e já eliminou alguns excessos.
- Busque gerar inicialmente posturas simples que trabalhem os movimentos da coluna ( ver texto no blog)
- Trabalhe posturas que liberem os ombros, lembre-se de que a mãe leva o bebê no colo para várias funções e muitas vezes só se dá conta desse novo sobrepeso através das dores nas costas.
- Trabalhe técnicas respiratórias de acesso ao ventre, ativando a energia do CORE. Kappalabhati e BhastriKa são bem-vindas para limpar a mente e liberar emoções.
- técnicas respiratórias tranquilizadoras são sempre bem-vindas, especialmente antes do relaxamento.
- Relaxamento conduzido com a visualização de partes do corpo para a liberação pode ser bem eficaz.

Para os bebês, coloca-los próximos uns dos outros, facilita a dinâmica de estímulos externos, além dos sons. A percepção do outro, especialmente após os 2 meses, 3, é bastante especial.
É importante observar os bebê, após o 4º mês, que muitas vezes querem tocar o outro bebê, mas não têm noção de força e local. O olho do “amiguinho” é bem chamativo.

Já falamos em outros textos do blog sobre estímulos sonoros, toque nos pés e também estímulo visual, hoje pontuo essa interação que é bastante estimulante para os pequenos.

Na sua condução das aulas mamãe e bebê lembre-se de estimular a tranquilidade e bem-estar da mãe para que ela transmita essa sensação ao bebê, que é bastante perceptivo da energia da mãe.
Lembre-se também de estimular a mãe a se perceber e continuar em casa, especialmente práticas respiratórias com os olhos fechados.

Gosto de citar o exemplo do avião: “primeiro coloque a máscara em você para depois colocar na criança ou pessoa de sua dependência”.

O autocuidado da mãe é fundamental para que possa dar a atenção adequada e curtir o seu bebê, liberando os excessos que fazem parte do pós-parto.
Essa aula tem uma vibração de muito amor e entrega...

Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/



segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Adaptações nas aulas para gestantes: um olhar especial



O olhar especial do instrutor é muito importante nas aulas de yoga para gestantes. Gerar adaptações seguras de acordo com o período gestacional é fundamental.

Ainda que a gestante seja praticante de yoga, deve-se considerar o espaço ventral e as alterações de hormônio.
Assim, perceber a energia da postura e buscar um apoio para que a gestante sinta com segurança o que o professor quer transmitir através da postura psicofísica escolhida, deve ser o propósito, para que sinta os benefícios da prática.

Lembre-se, por exemplo, de que posturas que trazem aterramento, trazem também sensação de sustentação, de firmeza, que pode ser percebida em pontos do corpo da gestante e também como sensação na mente e emoções. Trabalhar a consciência do períneo para essa percepção é fundamental.

Conquistar, mesmo que com apoio, uma postura aérea em um dia mais agitado pode ser uma percepção bastante especial para a gestante!

Adaptar as posturas, não significa “fazer menos” e sim, sentir melhor os benefícios, com mais segurança.

É sempre importante o professor de Yoga para gestantes se lembre de que está orientando e também cuidando de dois seres em constante transformação... às vezes a mãe demora um pouco para “aceitar” ou "perceber de forma consciente as oscilações naturais, as acomodações e acolhimentos que a gestação sugere, mas o professor deve ter esse olhar atento.

Para as práticas de yoga para gestantes, lembre-se sempre de trazer o foco ao eixo interno e técnicas respiratórias e de visualização que sugiram o retorno a esse eixo. (busque no blog esses textos sobre eixo interno e técnicas respiratórias)

Proponha-se a oferecer posturas que trabalhem a consciência sobre os movimentos da coluna que constitui um eixo bastante importante a ser observado (Texto sobre os movimentos da coluna)

Faça as adaptações necessárias para as gestantes. Talvez você precise dar sequências sentadas naquele dia, mas se a disposição das praticantes for boa, sugira posturas de equilíbrio e aterramento também de pé para ativar a sustentação, como variantes adaptadas de Virabhadrasana, Vrkshasana, Utthita e Parivrta Trikonasana.
Vão ajudar em várias ativações e alongamentos.

 Nesta imagem as gestantes passaram do Virabhadrasana I para uma torção com expansão do centro do peito. Bastante consciência na percepção expansão e aterramento. A ativação do períneo também é importante, seja associada à respiração ou como sensação de sustentação.

 Este é um exemplo de adaptação de Trikonasana. Com o apoio da cadeira, podem sentir os benefícios da postura fazendo a variante de alinhamento ou torção. A percepção do aterramento e sustentação são melhor ativados quando sentem o apoio.


 Nesta variante de Trikonasana com apoio na parede, as gestantes podem fazer várias percepções, desde expansão do centro do peito e liberação dos ombros, até o aterramento no períneo e planta dos pés. Pode ser feita em movimento com a variante de torção. (Você encontra o vídeo no blog)


Nesta imagem, uma variação de Parivrtta Trikonasana em movimento, para soltar a parte superior do corpo, sem perder de vista o aterramento.



Lembre-se também das posturas clássicas como Catuspadasana e as variantes de ativação das pernas e pés que pode adaptar.




Para a prática do Suryanamaskara, lembre-se de que não é adequada no primeiro trimestre e após o 6º mês, mesmo que a gestante seja praticante, por conta das alterações hormonais. Entre o 6º mês e o início do último trimestre é mais uma questão de adaptação ao sobre peso e no último trimestre, especialmente após a 30ª semana, temos novamente as oscilações hormonais que podem interferir na pressão arterial para o alto e para baixo.

- Lembre-se de que cada mulher tem uma história única e a gestação é sempre uma dupla!

- Lembre-se de que você sugere a prática segura, pois está cuidando e não praticando.

- Lembre-se de evitar o hiperaquecimento ventral a partir de técnicas respiratórias e sugestão de posturas.


Assim, sugira adaptação para o Caturanga dandasana, com a colocação dos joelhos no solo. Sugira também, adaptações com a cabeça ( que não deve descer) e flexão de joelhos nas posições semi-invertidas, pois não são recomendadas especialmente por conta das alterações hormonais.

Pessoalmente eu prefiro indicar a adaptação do suryanamaskara de parede (não há contra-indicações), ou o clássico com mais respirações conscientes em cada passagem e com adaptações em Ashwa sanchalasanana (afastamento da perna da frente e joelho oposto no solo), evitar passagem pela posição ashtangasana, bhujangasana (com joelhos no solo) e parvatasana (com joelhos no solo ou com a cabeça erguida e olhar fixo a frente), mas o professor precisa avaliar uma série de fatores, na condução da prática, dentre eles, a expectativa e histórico da gestante.

Conduza a percepções de interiorização, pois muitas alterações estão acontecendo dentro da mulher e no desenvolvimento do seu bebê... A mulher se transformar em mãe, já é um grande desafio...
Quanto mais acessar seu estado natural de tranquilidade, segurança e bem-estar, melhor acomoda todas as sensações...

O relaxamento conduzido é fundamental! Sugira percepções pelo corpo e propósitos de tranquilidade e segurança...
Lembre-se de que o bebê se desenvolve no Manipura chakra e faz parte da “jóia” que a mãe está cultivando como propósito!

Lembre-se de sua responsabilidade em cuidar, em perceber com um olhar especial os aspectos sutis da gestação...

Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/




sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Yoga casais grávidos – posturas de apoio



Já falamos da importância desta parceria na gestação e do valor do pai saber como apoiar em várias situações que incluem a reta final, parto e pós-parto.

Hoje vamos mostrar variantes de posturas que ajudam na prática do casal, na dinâmica de apoio, desde o início da gestação.
Do físico ao sutil, as posturas têm de ser construídas com equilíbrio entre a dupla, fazendo com que ambos exercitem o potencial psicofísico dessas posturas.



Essa preparatória é especial, com a conexão do olhar.

A pressão das mãos é fundamental para o posicionamento dos ombros e para conduzir a energia das escápulas às mãos, distensionando a região superior do corpo. 

Lembre-se de que o casal deve construir junto essa consciência, dosando a força com que pressiona as mãos.
O posicionamento das pernas também é importante para o equilíbrio e ativação adequada dos quadris aos pés, gerando aterramento, ancoragem.

A partir desta posição base, pode-se fazer variantes do Guerreiro - Virabhadrasana  e também do Triângulo - Trikonasana


Essa é a construção do Utthita trikonasana com uma expansão lateral e de espaços internos, que pode ser mais estimulada com as respirações aprofundadas e ativação dos braços e mãos. Sempre com a consciência no equilíbrio do casal.
 A torção (parivrtta) também pode ser feita, elevando os braços que estão para baixo e descendo, os que estão para o alto. O fundamental para acessar o benefício da posição, é o equilíbrio, especialmente no movimento conjunto.

Na condução de INSPIRAR E EXPANDIR E EXALAR E ATERRAR gosto de sugerir essa expansão de espaços internos para o novo e liberação de desconfortos, que vão do físico ao sutil.

Pode-se liberar a tensão dos ombros e feições do rosto, mas também pode-se pensar em liberar o medo ou agitações mentais desse momento da gestação do casal...


 Essa é uma variante que pode também ser feita na parede, para alongar todo o tronco, braços e pernas. Lembre-se da consciência na ativação da coluna! 
Até o alongamento do ciático pode ser feito com essa variante.

Na gestante, a soltura dos excessos de peso também podem ser trabalhados com respirações ventrais.

O casal pode fazer um profundo alongamento, ativando ora mais uma lateral, ora mais a outra, em comum acordo para o equilíbrio da dupla.

A condução das posturas acessando a parceria na construção do equilíbrio e nos pontos de apoio do corpo são especiais para que essas sensações de equilíbrio, apoio e bem-estar sejam sentidas pelos dois.

O trabalho da conscientização e ativação do períneo também pode ser feita com a respiração, nessas posturas:
Inspirar e expandir, exalar até ativar o períneo e sentir a planta dos pés.

Além das dinâmicas de massageamentos que já explicamos em posts anteriores, a construção das posturas em dupla é um ótimo exercício, que pode ser um estímulo diário à cumplicidade e ao bem-estar do casal, nesse momento tão especial!

Muitas vezes os meninos não percebem o acúmulo de tensões que carregam, especialmente relacionados às emoções da vinda do bebê e alguns excessos de trabalho, por exemplo. Essas dinâmicas são muito eficazes para a conscientização e liberação dessas tensões.

Yoga casais grávidos: pratique consciência com integração!
Namastê!

Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/



terça-feira, 27 de agosto de 2019

Equilíbrio entre ação consciente e recolhimento – na gestação e pós-parto




Na gestação esse equilíbrio entre a ação consciente/ prática de posturas e recolhimento/observação das nossas sensações/auto percepção, se faz essencial.
A prática das posturas e técnicas respiratórias do yoga nos ajudam a sentir, ativar e liberar sensações e até mesmo desconfortos, trazendo bem-estar.

A autopercepção nos permite observar com tranquilidade como devemos agir e também nos recolher.

Especialmente na reta final, o bebê comunica várias informações e nos transmite momentos de encaixe para ele e expansão e, muitas vezes, sensações dolorosas para nós. É um conjunto de percepções que vivemos em parceria e precisamos sentir também em parceria...

Se você observar, seu bebê já disse a que veio, já mostrou bastante da sua personalidade e também precisamos respeitá-lo para que a harmonia se estabeleça...

Se ele é muito agitado, fale com ele com tranquilidade, faça respirações profundas e transmita a sua tranquilidade a ele.

Se às vezes coloca o pezinho na sua costela ou empurra a mão na sua bexiga, faça carinho e peça gentilmente para tirá-lo, veja que vocês dialogam desde sempre e essa conexão vai para a vida, só tem de ser adequada às fases...

Se você é muita agitada, perceba a sua natureza e faça o mesmo, tente educar-se para vida... prepare-se para o exercício da paciência e veja quantos benefícios você pode colher com esse aprendizado!

Se seu bebê é mais tranquilo, uma forma de respeitá-lo também é recolher-se um pouco mais... em equilíbrio para os dois...

Busque essa conexão, vai ser um presente para todos!


Nas práticas de mamãe e bebê as mães observam muito sobre a natureza de seus filhos, como o seu estado natural de tranquilidade aquieta seu bebê e como seu movimento, muitas vezes constante para fora, o agita... As expectativas agitam... a respiração profunda e os olhos suavemente fechados, aquietam...

No pós-parto a correria muitas vezes nos domina, a constante vigia, o novo... o auto-resgate se faz então, necessário para o bem-estar de todos.



Busque fechar os olhos e ouvir a sua respiração por alguns intantes...
Tudo é um exercício diário, que pode começar na gestação... Um grande aprendizado de convívio e bem-estar para toda a família!
Conecte-se com você mesma, com o seu bebê, busque o seu equilíbrio natural, para agir com tranquilidade e relaxar quando preciso!

Namastê!

Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/