quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A verdade que devia ser espelho, não arma



Reflexões das aulas de Vedanta com Jonas Masetti Jonas Masetti — Ācārya de Vedanta | Vishva Vidya
para serem vivenciadas...
Essa semana entendi uma coisa que parecia óbvia e não era: trazer a verdade, ou o meu ponto de vista, como uma arma que fere o outro não é coragem, é ignorância. É um jeito de proteger meu ego e me colocar como melhor que a outra pessoa, mascarando a minha própria fragilidade em vez de trazer luz pro que realmente me incomoda. Quando não consigo ver Isvara no outro, quando não entendo meu lugar de entrega, eu fico julgando e condenando o que parece estar fora de mim, sem confiar que aquilo foi colocado ali pro meu crescimento, pro amadurecimento do meu jiva.

Isso apareceu de um jeito bem prático quando pensei nos papéis que desempenho no dia a dia. Usar esses papéis pra ter razão, pra "atacar" ou fragilizar alguém, trazendo agitação pra mente ou pra vida do outro, é um uso inadequado que gera karma negativo em mim mesma. Me afasta da integração comigo, alimenta um falso poder do ego, confortável pra mim e inadequado, até adhármico, pro outro.

Lembrei de momentos em que segurei uma verdade com medo de magoar alguém, e isso virou um peso maior do que se eu tivesse falado na hora certa. Mas percebendo melhor, entendi que às vezes essa verdade estava no meu tempo, não no tempo do outro, e que a forma como ela vinha até mim podia ser dita com mais leveza. Estou trabalhando esse jeito de falar, lidando com pontos de vista e com a adequação do momento. Não é sobre o meu tempo, é sobre o tempo adequado de cada um. E até essa "hora certa" precisa ser olhada com cuidado por mim, não pode ser uma reação à verdade, tem que ser uma escolha.

Isso me levou pra outro ponto que sinto que é o centro de tudo: neutralizar o ego é sobre transformação pessoal, e o outro é só uma peça da minha própria história, ali pra que eu me olhe com verdade e ajuste meu personagem, me libertando dos meus apegos. Minha história não vai mudar. A minha relação com ela é que precisa se transformar. E quando entendo isso, percebo que não há solução pronta pro meu personagem, ele é cheio de falhas, um somatório de muitos karmas. O caminho não é consertá-lo, é entregar a Isvara o resultado das minhas ações e confiar na ordem maior, me abrindo pro que eu sou de fato, em vez de tentar controlar.

Enquanto eu quiser controlar ou julgar pessoas, situações, ou até a minha própria história, estou perdendo tempo e mostrando que não confio em Isvara, na ordem maior. Que eu possa apreciar essa ordem em vez de julgá-la ou agir contra ela.

E é bom lembrar que evolução espiritual não tem nada a ver com acúmulo, status ou privilégio. É maturidade. Uma pessoa comum, sem nenhum recurso especial, pode alcançar Mokṣa antes de alguém que teve tudo a favor e não entendeu nada. Isso tira de mim qualquer desculpa de que preciso merecer mais pra evoluir, e coloca a responsabilidade exatamente onde ela sempre esteve: em olhar pra dentro, com honestidade, sem fugir da própria sombra.

Meu grupo de estudos segue com a Escola [Vishva Vidya](https://vedanta.com.br), sob a condução do professor [Jonas Masetti](https://vedanta.com.br/jonas-masetti), e cada aula tem me mostrado que a verdade que eu buscava usar pra proteger meu ego é, na verdade, o espelho que eu mais precisava olhar.

Vishva Vidya — Vedanta (Vedanta — Autoconhecimento pela Tradição Milenar dos Vedas | Vishva Vidya)
Ensino tradicional de Vedanta com Jonas Masetti Jonas Masetti — Ācārya de Vedanta | Vishva Vidya. Autoconhecimento pela tradição milenar dos Vedas.

domingo, 23 de agosto de 2026

Entre o esforço e a benção


  O que aprendi ouvindo Vedanta essa semana


Essa semana revisitei uma aula do meu grupo de estudos ligado à Escola Vishva Vidya, com o Professor Jonas Masetti e cada vez volto a ouvir esses ensinamentos, mais camadas se abrem. Dessa vez o que ficou vivo em mim foi um convite simples de enunciar e difícil de sustentar: mergulhar nos ensinamentos sem querer ensinar.

Eu dou aulas de yoga, faço trabalho voluntário, estou sempre no lugar de quem cuida e de quem passa adiante pra outras pessoas. E percebi que precisava sair um pouco desse personagem de professora pra simplesmente ficar com as minhas próprias questões, sem pressa de transformar tudo em ferramenta pra alguém. Olhar pra dentro, fortalecer a mente com escolhas, sem deixar que os sentidos me chamem o tempo todo. Fazer japa, fazer puja, não como distração da mente, mas como direção pra ela.

A parte mais difícil foi outra: ouvir a mensagem de Isvara em tudo e em todos, inclusive nas situações difíceis. Eu entendo o conceito. Só que entender e viver são coisas bem diferentes. Na hora que a dificuldade chega, meu primeiro movimento ainda é de controle, de tentar segurar as pontas sozinha, e só depois, com esforço, consigo soltar e escutar o que aquilo está me ensinando.

Isso conecta direto com algo que já vivi várias vezes: momentos difíceis com intensidades bem diferentes. Às vezes reajo com uma serenidade que depois desmorona em desespero, até se acalmar de novo. Às vezes é uma questão duradoura, e eu rezo muito pra ter força de agir com adequação mesmo em meio a emoções contraditórias. E às vezes sou reativa, e depois preciso rever a atitude, o que também não é fácil. O que percebo é que estou tentando lidar melhor com essas intensidades, diminuir um pouco esse botão automático que existe em mim.

E é aí que entendi melhor uma coisa que antes me parecia meio contraditória: se o corpo é impermanente, por que fazer ritual, tapas, tratamento, ao invés de simplesmente aceitar? A resposta que encontrei é que aceitação em Vedanta não é resignação passiva. Cuidar do equilíbrio do corpo, entender a doença como um desequilíbrio a trabalhar, isso é trabalho sobre si. É fortalecer as ferramentas que tenho pra aprender com o que a mãe divina oferece como experiência. O ritual em si já é um caminho de fortalecer a fé, de liberar aprisionamentos que talvez eu nem entenda direito, e de confiar nessa força de Isvara, seja na forma de Ganesha, seja na mãe divina.

Isso também respondeu uma dúvida mais funda: se o karma já se materializou como doença, será que ritual e tapas, que são práticas da mente e do espírito, ainda podem fazer alguma diferença no que já está manifestado no corpo? Não seria tarde demais? Cheguei à conclusão de que não. Corpo e mente são objetos, posso observar e agir sobre eles. Mas nenhum esforço meu é válido sozinho, sem as bênçãos. Preciso do esforço adequado pra apaziguar certas tendências e certos karmas, sabendo que a cura não depende só dessa ação minha, depende da combinação das bênçãos. Por vezes o que eu conquisto não é a cura em si, é a aceitação da mente diante de determinadas questões, e sigo fazendo meu esforço possível dali pra frente.

Fico com essa imagem: o esforço é meu, a benção não é. E é bom assim, porque tira de mim o peso de resolver tudo sozinha e me deixa livre pra fazer só a minha parte, com atenção e com fé.

Gratidão ao Professor Jonas Masetti por esse convite de olhar pra dentro sempre que a vida trouxer alguma dificuldade.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

As posturas com apoio - melhoram a prática e a condução

 As posturas com apoio auxiliam a melhorar a condução do propósito do instrutor para uma série de variações. Na gestação, como o corpo da mulher está modificando constantemente, poder estimular a observação dos pontos de sustentação e liberação com uma maior adequação, a partir dos apoios, é importante.

Usar a parede ou a cadeira, não facilitam a construção da postura, mas ajudam a melhorar apercepção sobre aspectos específicos a serem trabalhados.


Para construir, por exemplo, essa variante do Virabhadrasana III, o alinhamento da coluna, o afastamento entre ombros e orelhas e a ativação do assoalho pélvico podem ser trabalhados com mais consciência, com o apoio da cadeira ou parede.
Uma série de propostas podem surgir desta posição: a abertura do quadril, a flexão do joelho associada ao movimento da respiração, a ativação das costas com uma consciência maior na cintura escapular, o alongamento da cervical, etc...

Os apoios podem favorecer a prática, aumentando os pontos para o equilíbrio, da postura mais simples as mais intensas, propiciando uma consciência maior sobre partes específicas do corpo. 

Com facilidade, é possível alinhar a coluna, ajustar os ombros e cintura escapular, liberando os excessos do ventre. 
Desta base, muito pode ser construído, e a percepção da praticante sobre a parte superior do corpo e a ativação do assoalho pélvico, coxas, pernas e pés, podem ser observadas com facilidade.

Esta torção suave com o apoio da parede pode beneficiar muito a praticante. Desde o alongamento do ciático, até a ativação dos órgãos internos podem ser estimulados nesta adaptação. Muito espaço interno pode ser acessado!


Nesta torção, também suave, com o apoio da cadeira, pode-se construir várias posturas, com base no alinhamento pélvico, ativação do eixo interno e consciência do posicionamento dos ombros e cintura escapular.

No último trimestre gestacional, o uso da bola como apoio é muito especial! A construção do Virabhadrasana II é bastante favorecida, com uma percepção maior do assoalho pélvico e alinhamento da coluna.

Busque usar esses apoios e sinta quantos como vai perceber a construção de cada postura. Deixei aqui, algumas sugestões... Você pode criar uma série, a partir delas... Sinta que muitas adaptações favorecem aspectos importantes de ativação e liberação, a serem percebidos pelas gestantes. O ajuste também é facilitado com essas bases de apoio.

Se você é gestante, pratique com consciência, sob orientação de um instrutor que a oriente de acordo com o seu momento e as suas necessidades!

Namastê!

Profª Cristiani W. Matsuoka

Qualquer dúvida, estou à disposição!

(48) 99167 - 6361

@cristianiw.bez


quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Dor do ligamento redondo do útero

 

 

Por duas vezes me chegou essa questão, este ano, vinda de instrutores de yoga, para conduzir as aulas, dado que é recomendada a prática de Yoga para prevenir e minimizar esse processo doloroso, que é comum nas gestantes, especialmente primigestas, com o desenvolvimento da gestação.

A dor do ligamento redondo do útero é uma sensação de desconforto que pode ser confundida com cólicas e empuxos na lateral do ventre, especialmente no 2º trimestre, quando há um maior aumento do útero e exigência de seus ligamentos.

É sempre importante conhecer o histórico da gestante e seu biotipo. 

Quando estudamos Yoga, temos uma noção do ayurvédica e conhecemos os Doshas, os biotipos comportamentais de cada indivíduo, que favorece, dentre outras recomendações, a escolha das posturas e até mesmo pranayamas a serem praticados. 

O tipo Vata tem a pré disposição a essas sensações, por ter menos massa muscular e camada protetora de gordura, também pode ter mais dificuldades em trazer para o corpo físico várias informações sobre as transformações da gestação.

O tipo Pitta, pode registrar esse desconforto pela pré-disposição ao "fazer em excesso", o que pode fragilizar sua entrega aos momentos de relaxamento e acomodação do desenvolvimento da gestação.

O tipo Kapha costuma acomodar e adaptar com mais facilidade essas sensações.

Para compreender melhor, inclusive a combinação dos biotipos, é sempre bom ter a opinião de um especialista em Ayurveda, mas aqui, deixar essa reflexão para os instrutores olharem com mais cuidado para a individualidade de cada gestante, é o propósito. 

Em via de regra é importante fazer respirações ventrais e de liberação de excessos. 

Observar o momento em que esse desconforto aparece, se existe uma lateralização da dor, também pode dar indicações de escolha de posturas. 

Movimentos suaves associados à respiração são sempre bem vindos, com o propósito de aprofundar a respiração, diminuindo assim, o ritmo do movimento.

Criar o hábito de fazer os movimentos para a coluna saudável, de pé ou sentada (dependendo do ponto e intensidade da dor) é um caminho para práticas simples e eficazes nesses quadros de desconforto que podem durar todo um ciclo de acomodação de órgãos.

- MOVIMENTOS BÁSICOS DA COLUNA (texto e vídeo de exemplo no blog - vou postar algumas imagens neste texto)

São 8 movimentos básicos para uma coluna saudável. Eles acontecem em várias ações espontâneas de nosso corpo para que nos sintamos soltos e relaxados. São eles:

1.     movimento de alongamento para o alto e para cima com o alongamento dos braços

2.     movimento da coluna para trás

3.     alongamento para frente

4.     soltura do corpo para baixo com o arredondamento da coluna

5.   movimento para o lado direito (aumento do espaçamento entre as vértebras e costelas)

6.     movimento para o lado esquerdo

7.     torção ou rotação da coluna para o lado direito

8. torção e rotação da coluna para o lado esquerdo

É importante estimular a prática diária, com a atenção do instrutor, até que a gestante encontre os movimentos mais adequados ao seu conforto e possa fazê-los em vários momentos dia.

A prática regular do Yoga para gestantes ajuda a prevenir e minimizar essas sensações, mas a atenção individualizada é fundamental!

Namastê!

Cristiani W. Bez Matsuoka

Se tiver alguma dúvida, entre em contato!

(48) 991 67-6361

As posturas das imagens abaixo são alguns exemplos com determinadas ênfases. O Instrutor deve saber como construir a dinâmica, de acordo com a anamnese da gestante, se está com a referida dor ou com o propósito da aula.

Ativação e alongamento da coluna no eixo, para à frente em tração

Ativação lateral

Soltura e alongamento da coluna para baixo

  
Alongamento para trás







quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Workshop de Yoga para gestantes e pós-parto direcionado a instrutores e profissionais de saúde

 Esse projeto é muito especial! Levar o Yoga como ferramenta para auxiliar as mães nesse período tão especial do maternar é um presente!

Neste momento  especial  em que o mundo está vivendo,  sigo acolhendo gestantes e mães  no pós-parto com os seus bebês,   com a mesma dedicação e empenho,  em conduções e direcionamentos online, apoiando mulheres de muitas localidades.

Gestação e pós-parto são períodos que exigem bastante atenção... especialmente na condução da respiração e liberação de excessos nas posturas...

Oferecer esse workshop online, na sua 3ª edição, transmitir todo o propósito será certamente um desafio e uma conquista para todos!

Desenvolvi então, para o workshop, 2 apostilas com imagens e textos explicativos (uma delas, exclusiva para instrutores) e produzi vídeos curtos para compartilhar com aqueles, que como eu, querem ajudar as mulheres nesse momento tão especial, da melhor forma!

Como as aulas são ao vivo e também gravadas, muitas questões podem ser abordadas e dúvidas podem ser esclarecidas após revisitar o material.

Fico muito feliz em dividir essa experiência tão enriquecedora para mim e para tantas mulheres que compartilham comigo suas sensações, conquistas e fragilidades.

Nesta 3ª edição, o propósito é:

1.  Desenvolver um olhar especial para esse período tão singular da mulher, com  técnicas específicas e adaptações.

2. Direcionar as práticas de acordo com os períodos gestacionais, com ajustes e adequações também à distância.

3. Compreender a anatomia da gestação, transmitindo segurança ao ensinar como lidar com "o novo corpo".

4. Apresentar possibilidades para a mulher acessar no seu momento gestacional, espaços internos, do físico ao sutil;

- Relaxamento dirigido para acesso à tranquilidade, segurança e fluidez.

5. Conscientizar e possibilitar o acesso ao estado natural de tranquilidade, lembrando que o estímulo a esse acesso deve acontecer antes do parto.

6. Orientar as gestantes a como lidar com os desconfortos  do último  trimestre e sensações de reta final, incluindo as contrações.

7. Construir a consciência de liberação nas práticas  de " soltar tudo".

8. Gerar as adequações  para aulas ou atendimento  online.  ⠀⠀⠀⠀⠀

9. A mulher no pós-parto. Dicas  para acomodar o corpo nas aulas regulares ou atendimento  personalizado. 

10. Dicas para conduzir dinâmicas  de Yoga mamãe  e bebê.

Para profissionais da saúde que trabalham com gestantes, é uma maravilhosa oportunidade de agregar conhecimento, mas não habilita esse profissional a dar aulas de Yoga. 

Fica aqui, alguns registros das nossas edições anteriores!

Namastê!






quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Gestação pélvica na reta final

 Quando o bebê está sentado, confortavelmente na reta final, a mãe pode criar uma ansiedade. Então, o fantasma da "gestação pélvica na reta final" assombra...

Em via de regra, o bebê se mexe e pode desvirar, comumente até 36ª semana, mas também pode virar próximo ao parto, ou há casos de partos bem sucedidos, em que o bebê nasce sentado... É importante saber como a equipe médica e profissionais que acompanham a gestante, lidam com essa situação.

No Yoga para gestantes, algumas posturas e técnicas respiratórias são recomendadas para lidar com a gestação pélvica. 

Primeiramente, trabalhar a respiração fluida da mãe para que ela restabeleça seu estado natural de tranquilidade. 

Não há controle na gestação, há formas de conduzir a respiração e lidar com situações. Restabelecer a tranquilidade e segurança é uma boa escolha! A respiração com visualizações, associada ao conhecimento adequado sobre o que está passando, é um bom caminho...

Vou colocar aqui, algumas técnicas que podem ser praticadas por gestantes com um olhar atento de um professor de Yoga ou Doula: 

Fazer posturas de semi inversão e liberação seguras, para que não haja risco de alteração brusca de pressão arterial, com a contração do assoalho pélvico e esfincteres, especialmente ao final da exalação:

Nesta posição, a gestante consegue gerar a "inversão" sem riscos. Lembrando que no final da gestação é muito comum alterações da pressão arterial. A gestante durante essa prática com a técnica da contração pode sentir algumas sensações diferenciadas, especialmente porque pode estimular o movimento do bebê.

Dependendo da gestante, a elevação pode ser maior, também pode ter apoio nas costas para maior soltura do pescoço...

Essa postura também pode ser feita por gestantes de um modo geral, sem retenção dos esfincteres, somente com o encaixe pélvico. É sempre importante avaliar caso a caso.



Nesta soltura com o apoio da cadeira, se pode fazer com o mesmo propósito, ativando a contração perínea e dos esfincteres ao final da exalação. 

Na primeira imagem, a gestante além de fazer uma excelente tração na coluna, pode gerar as respirações com contrações, sentindo a firmeza do "aterramento" até os pés. É extremamente benéfica para a sensação de segurança e bem-estar da gestante.

Na continuação, ou segunda imagem, a gestante exercita o "soltar tudo", liberando tensões dos ombros, pescoço, face e pode fazer algumas respirações com as contrações, desde que NÃO SINTA TONTURA.

Nessa posição todo o corpo se solta e vários alongamentos e liberações significativas podem ser gerados com consciência.

Essa posição com intensão de gerar as contrações também pode ser feita com a gestante sentada na cadeira.

Lembrando que para que uma gestante regular pratique essas posturas "gostosas" é importante não gerar contrações. A respiração da gestante também deve ser fluida.  

GESTANTES NÃO DEVEM RETER A RESPIRAÇÃO, SÓ AMPLIÁ-LA!

É sempre importante, em todas as situações de transformação da gestação, lembrar de que a mulher não está fazendo a trajetória gestacional sozinha, que cada gestação tem sua história. É um exercício de percepção importante a ser trabalhado...

A gestante, no entanto, sempre tem ações conscientes que pode escolher, mas não controla o DESENVOLVIMENTO NATURAL da gestação. 

Para essas escolhas consciente, o Yoga tem muitas ferramentas!

Se quiser alguma dica para esse trabalho direcionado, procure um professor de yoga especializado em gestantes.

Yoga para gestantes: Um caminho de consciência para gestar de forma saudável em todas as percepções!

Namastê!

Profª Cristiani W. Bez Matsuoka

@cristianiw.bez 

(48) 99167-6361


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Quando a ansiedade trava a respiração

É muito comum percebermos que quando estamos ansiosas, nossa respiração fica presa, não flui...

Na gestação, pós parto e na vida, essa fluidez é fundamental para nos reconectarmos com nós mesmas e agirmos com tranquilidade.

Muitas gestantes sentem essa trava, muitas vezes configurada como ofegância e acham que é natural da gestação.

A GESTAÇÃO E O PÓS PARTO ATIVAM MAIS PROCESSOS DE ANSIEDADE QUE TRAVAM A RESPIRAÇÃO!

Essa sensação de trava ou ofegância é comum, mas é importante resgatar o fluxo respiratório em todas as fases da gestação, lembrando que a ofegância pode aparecer comumente quando há um esforço aeróbico e a gestante não consegue gerar um ritmo da respiração. Esse ritmo no entanto, pode ser retomado, assim que a gestante liberar o ar residual e sessar o esforço que está fazendo.
É importante ressaltar, que para muitas gestantes, especialmente na reta final, esforços simples, como a subida de um lance de escadas, pode gerar esse descompasso respiratório, mesmo que a gestante tenha um bom preparo físico. Independente disso é fundamental resgatar o ritmo e aprofundamento da respiração. A atividade pode até servir de exercício para isso, se a gestante tiver consciência dessa "retomada de fôlego".

A maioria dos processos de trava da respiração, no entanto, são acionados pela ansiedade... A única forma de diminuir os processos de ansiedade é reorganizar a respiração. Criar esse ritmo pessoal e algumas variantes para liberar excessos e reconectar com o eixo.

É sempre bom lembrar que a ansiedade vem do nosso instinto natural de luta ou fuga, produzindo adrenalina para a ação rápida.
O problema é quando essa descarga é contínua e demasiada, então, gosto de repetir uma frase do Profº Pedro Kupfer, reconhecido professor de Yoga: "A ansiedade é excessiva quando se transforma em uma mãe super protetora (...)". Sim, o excesso de adrenalina nos impede de acessarmos a tranquilidade e a leveza, nos deixa em contínuo "processo de ação".

Esse contínuo processo, esse "excesso", atrapalha em todas as fases da gestação, inclusive no trabalho de parto e amamentação!

No pós parto a nova mãe também visita facilmente esse estado. Sem ritmo pessoal e em função das demandas do bebê, a mãe recém nascida se coloca para fora na atenção ao bebê e não percebe sua respiração, seu eixo, seus estados internos. 
Sempre digo às novas mães que, quando nascem os filhos, iniciamos nosso ritmo de fora para dentro. Nossas sensações internas são deixadas de lado porque todas as "nossas antenas" estão projetadas para os cuidados com o bebê. Assim, o autocuidado e auto acolhimento são fundamentais!

O RESGATE DA RESPIRAÇÃO CONSCIENTE É FUNDAMENTAL PARA ESSA RETOMADA SOBRE AS SENSAÇÕES INTERNAS E O CAMINHO PARA O ACESSO DA TRANQUILIDADE.

Nas aulas de yoga para gestantes e mamães e bebês, sempre reforço a respiração no eixo (texto aqui no blog) como um caminho para se perceber internamente e resgatar o ritmo da respiração em expansão e aterramento.

Visualizar a respiração é fundamental! 

Inspirar e perceber o ar entrar e a energia se expandir para o alto e exalar e sentir a liberação e o aterramento até o assoalho pélvico é uma caminho bem seguro para se reconectar!
Podemos fazer isso de várias formas: 
1. Visualizando e percebendo o ritmo da respiração e aprofundando em "expansão e aterramento" conforme a praticante vai sentindo mais espaços internos.
2. Visualizando o eixo interno entre o topo da cabeça e o períneo e observando o movimento da respiração entre esses dois pontos.
3. Resgatando espaços internos, fazendo uma respiração elevando os ombros até as orelhas na inspiração e exalando e soltando tudo... em seguida, perceber a retomada natural do fluxo da respiração para aprofudá-la.
4. Trazendo uma mão sobre o peito e outra no púbis (baixo ventre) e expandindo na inspiração até inflar o peito, e exalar liberando excessos até a mão que está no baixo ventre, sentindo o movimento da respiração nas mãos. Essa percepção de dentro para fora e vice versa, ajuda muito no resgate do ritmo da respiração.
5. Em um nível mais aprofundado de percepção e visualização, a respiração em SO HAM (também aqui no blog ) é um fantástico exercício para se manter em conexão com a respiração e consigo mesma, nutrindo a tranquilidade.

Há outras técnicas, também citadas aqui no blog ou no instagram, mas gostaria de ressaltar a importância de perceber que a respiração consciente é o veículo para retomar o equilíbrio, desarmando a ansiedade e devolvendo o bem-estar e tranquilidade.

É a única função do sistema nervoso central que podemos interferir com naturalidade para regularizar as demais!

No mais, é importante observar se sua respiração trava no momento da inspiração ou da exalação...
Essa informação pode te ajudar a destravar com mais facilidade, fazendo uso das técnicas adaptadas para esses momentos respiratórios.

DEIXE O PRANA, A VIDA FLUIR EM VOCÊ SEM OBSTÁCULOS!

Qualquer dúvida, pode entrar em contato comigo ou com um professor especializado em Yoga para gestantes e pós parto!

Namastê!
Profª Cristiani Matsuoka
@cristianiw.bez

Obs: Selecionei essa imagem para observarmos quanto prana e fluidez existe na natureza: mesmo com pouco espaço, a árvore brotou de uma fenda na pedra...
Sua respiração se refaz em ritmo e profundidade assim que você der um espaço consciente para ela, mesmo no final da gestação ou na correria com o bebê...



quarta-feira, 29 de julho de 2020

O tempo da gestação, do trabalho de parto, da partolândia

Retomando as postagens do Blog, em tempos de pandemia, com muitas gestantes passando por sensações intensas, resolvi falar sobre O TEMPO.

O TEMPO DA GESTAÇÃO... O TEMPO DO TRABALHO DE PARTO... O TEMPO DA PARTOLÂNDIA...

Muitas gestantes, não só nesse período de isolamento social, mas durante suas gestações, me colocam várias impressões sobre suas sensações em relação ao tempo de gestar.

Muitas falam que o tempo passa muito rápido, não conseguem organizar as coisas como gostariam, como o "programado". Querem deixar  "tudo certo" para a vinda do bebê...
Outras, especialmente na reta final, ficam cheias de expectativas para ver o rostinho do bebê...
Algumas ainda, colocam, desde o primeiro trimestre, suas expectativas e anseios em relação ao parto... como vai transcorrer.

Essas e outras impressões são muito bem vindas para exercitar a MENTE e suas expectativas através das ferramentas do yoga.

"Desarmar" a mente desses controles sobre o desenvolvimento natural da gestação, é o meu maior desafio como professora de Yoga para gestantes!

Quando exercitamos o "soltar tudo" desde o início das práticas,  vamos em um crescente de liberações...
Algumas sentem a soltura dos ombros, que sempre "seguraram", mas fica mais evidente na gestação...
Outras, conseguem se relacionar melhor com os quadris, especialmente com o nervo ciático...
Algumas ainda vão observar a necessidade de se relacionar melhor com a coluna, soltando as tensões e sustentando o eixo...

Quando chega na reta final, esse conceito de "soltar tudo" fica mais claro, mas precisa ficar mais presente, a partir da mente...

Os exercícios de respiração para trabalhar essa soltura, associado à pratica de posturas já adequadas ao momento gestacional são importantes para acomodar as contrações e perceber que essas sensações fazem parte da liberação do corpo para o parto. Não é uma dor aleatória e deve ser observada e sentida não como "reação dolorosa" e sim como uma forma do corpo se preparar para o parto.
Sim, é dor... mas se não dermos a gradação devida, desenvolver a percepção adequada,  a sensação dolorosa será bem maior!

É uma conquista muito especial criar essa percepção na mente e expandi-la para o corpo.

As práticas de Yoga Nidra, relaxamento consciente, direcionado para essa liberação também gera um efeito muito positivo e eficaz na mente, tranquilizando a gestante, trazendo mais centramento e liberação de excessos, especialmente o medo...

Essa prática direcionada às gestantes são ferramentas para a vida, especialmente com a chegada do novo membro da família, que é muito esperado, mas traz com sua chegada, demandas bastante intensas para a mulher e a família...
Aprender a perceber a mente no tempo real, suas sensações e expectativas associadas ao corpo, vai favorecer muito o pós-parto, em todos os sentidos.

Vamos falar de partolândia... Uma etapa do trabalho de parto em que as mulheres ficam como sob um efeito anestésico e esquecem fases do processo... perdem a relação com o tempo cronológico.
Uma bênção, não é?!
Todas as parturientes que chegam à dilatação ideal para o parto, passam de alguma forma pela partolândia, mas muitas não percebem esse "fenômeno". A primeira questão é que esse espaço/tempo mental não é cronológico, depois, como essa sensação começa com a presença do hormônio Ocitocina, acontece na mente e é transmitida ao corpo (o colo do útero fica completamente dilatado). Algumas mães relaxam profundamente nesse momento...

Se as parturientes que têm essa descarga de ocitocina e chegam à expulsória passam por esse período, por que todas não sentem?
Há alguns aspectos que poderíamos abordar, como o ambiente do parto, o apoio... mas vou focar na relação do funcionamento da mente, dos controles e medos... o principal olhar do Yoga relativo à partolândia, ao trabalho de parto como um todo.

Depois de acompanhar e auxiliar mais de 150 gestantes, percebo que quando geramos esse trabalho completo de "desarmar" a mente e soltar o corpo adequadamente dentro da fisiologia da gestação, tudo flui com mais tranquilidade. Exercitar o autocuidado com amorosidade e leveza,  sem que a mãe se coloque inúmeros desafios e cobranças, buscado ter a "melhor" performance física, programando tudo e até "definindo" como vai ser seu parto, cria uma outra disposição na mente da nova mãe e mulher...

É um maravilhoso exercício de entrega... a si mesma... ao momento especial que está vivendo...

Hoje estou dando aulas online para gestantes e pós-parto e uma das mães, na 3ª gestação, após 2 partos normais, naturais, me contou, desde a 28ª semana, que gostaria de ter um parto mais consciente... mais tranquilo... com menos receios...
Estamos exercitando muitas percepções... reconstruindo muitos conceitos... especialmente a relação com as dores da contração e com a pressa... o tempo...

Yoga para gestantes: uma relação com o tempo real, o tempo sagrado! Viva cada momento, sem pressa, com sabedoria, amorosidade e leveza...

Namastê!
Profª Cristiani Matsuoka
@cristianiw.bez

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Abundância de energia na gestação



Na gestação, muitas vezes nos sentimos cansadas, registrando alguns desconfortos, que envolvem sensações no digestório, peso, etc.
O desenvolver da placenta, o aumento do útero, etc, vão gastando energia... mas precisamos reativá-la com consciência.

É importante nos lembrarmos de que o bebê se desenvolve no ventre e todos os órgãos ficam mexidos com o desenvolver da gestação e também a energia da gestante pode estar mais focada nesse ponto...

A relação de abundância na gestação, começa com a circulação adequada da energia!

Se retemos a energia nos ombros, por exemplo, a respiração trava...se deixamos a respiração curta, nos sentimos ainda mais cansadas...

É fundamental nos relacionarmos com a fluidez da energia, respirando com profundidade e experimentando ampliar o nosso potencial respiratório. Essa sensação de espaços internos, registra a presença da abundância de bem-estar e de tranquilidade.

Assim, experimente Ujjyai pranayama,(texto com vídeo no blog), associado a movimentos simples de espaçamento entre as costelas e vértebras e vai visitar a sensação da abundância de espaços internos...

Faça a adequação da sensação da energia de expansão e aterramento no seu corpo, distribuindo adequadamente o que precisa ativar e o que é necessário liberar em você, que vai sentir o registro da abundância.

Nas aulas de Yoga para gestantes sentimos a ativação da musculatura de sustentação e a liberação dos ombros, dos espaços no ventre e nas costas. Através de técnicas respiratórias específicas, liberamos também, desconfortos digestórios. Lembrando sempre de que já temos bastante estímulo no ventre, o que pode gerar mais sensações, como mais produção de suco gástrico no estômago, peso, etc. Assim, é fundamental circular essa energia com consciência.

Nessa postura em movimento, a gestante cria espaços no centro do peito e entre as mãos, com expansão e aterramento, gera uma sutil torção na coluna, ativando o períneo e liberando espaços entre os órgãos.

É importante lembrar que se o ar fica retido no peito e os ombros tensos, é como se enchêssemos um balão de ar. Esse ar preso, só fica retesado, não tem mais função. (Experimente liberar as tensões dos ombros – texto no blog)

Com esse movimento, a gestante cria espaços nas laterais do tronco, entre as costelas, se alonga lateralmente, ativando os braços, mas afastando com consciência os ombros das orelhas.

Energia parada é estagnação, que é o oposto de abundância... Busque sentir a fluidez...

Nesse vídeo, agestante, já de reta final, associa movimentos à respiração, ativando a musculatura de sustentação e liberando espaços internos e tensões.


Comece seu dia então, acessando a abundância de poder perceber a sua respiração e poder ampliá-la, acessando cada vez mais espaços internos, independente do seu período gestacional.
Visualize a sua respiração e seus espaços internos se expandindo... Crie essa percepção (veja o texto sobre visualização interna)

Crie o seu potencia de abundância com consciência  e agradeça cada conquista no seu dia e no seu processo gestacional!

Namastê!
Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Técnicas de visualização interna



É muito importante desenvolvermos o potencial de internalização em todas as fases da vida, para relaxar, concentrar, se perceber...

Na gestação, poder gerar as visualizações internas que conectem a mãe com suas sensações, com o seu bebê e também com o seu potencial de conduzir a energia da melhor forma, é uma maravilhosa ferramenta.

Uma técnica de percepção da respiração e seus movimentos, conhecida como Japa ajapa, pode ser adaptada para as práticas de posturas e técnicas respiratórias, desenvolvendo e potencializando esse exercício de internalização e o movimento consciente da energia.

São muitos os benefícios dessa técnica: reorganização do ritmo respiratório, adequação do movimento da energia interna, internalização consciente, tranquilização da mente, aumento do potencial de concentração, etc.

Buscando o alinhamento da coluna, mesmo em posturas de inclinação, pode-se adaptar essa técnica, visualizando a respiração com movimentos associados.

Nessa postura a gestante visualiza a energia subir na inspiração, do cóccix ao topo da cabeça, e aterrar na exalação, dos intercílios ao períneo. (segue vídeo)


Uma percepção circular, enquanto trabalha o alongamento da região ciática e virilhas, afasta os ombros das orelhas, ativa as costas, braços e mãos.



Uma condução básica, que sempre indico dessa técnica é:
Ao inspirar, visualize o ar entrando e a coluna se expandindo para o alto; ao exalar, o ar vai saindo pelas narinas e você registra o esvaziamento até o baixo ventre. Expansão e aterramento conscientes.

Podemos fazer percepções ainda mais específicas, como visualizar o movimento da respiração entre dois pontos: o ar sempre entra e sai pelas narinas. O praticante, sentado com a coluna ereta, visualiza um tubo transparente entre a garganta e o umbigo. Quando o ar entra, sente expandir do umbigo a garganta; quando o ar sai, sente esvaziar da garganta ao umbigo.
Lembre-se sempre de compreender bem os comandos internos para que a técnica movimente a energia adequadamente.

No texto de hoje, vou deixar um vídeo com a prática de uma postura simples com visualização, para sentir os espaços internos, acessando e potencializando os benefícios da postura. Perceba que poderá adaptar essa visualização em várias posturas, sempre atenta à respiração e seus movimentos internos!
Pratique sempre o que se sentir segura! Peça auxílio de um professor habilitado, se tiver dúvidas.

Namastê!
Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/





quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Dicas para aulas de mamãe e bebê



A mulher no pós-parto tem muitas alterações químicas, muitas transformações. O bebê agora está fora do ventre e demanda uma atenção e comunicação diferenciadas.
No chamado pueripério, o útero da mulher começa a retornar ao tamanho da pré-gestação, o bebê demanda da mãe para atender as suas necessidades fisiológicas e muitas vezes a mãe esquece do autocuidado.

Todos esses processos podem ser estressantes para a mãe, até mesmo a amamentação, mas ela também está vivendo a bênção da maternidade... São sensações conflitantes, muito comuns no pós-parto.

Preparei então, algumas sugestões que podem ser úteis na elaboração das práticas de mamãe e bebê.

Para que a mãe se reconecte, acessando seu bem-estar, é importante ter momentos de introspecção, consciência da respiração, movimentos de liberação das tensões dos ombros e costas, alinhamento da coluna e ativação do baixo ventre e períneo, para retornar ao seu estado natural de sustentação, reorganizando novamente os órgãos no ventre.

É bem positivo para mãe e bebê começarem as práticas em grupo após os 2 meses, ou até um pouco antes. O professor deve estar atento à faixa etária dos bebês no mesmo grupo e também na quantidade de participantes, para gerar o estímulo adequado aos bebês e o acolhimento mais eficaz para as mães. Com 2 a 4 ou 5 duplas, as dinâmicas e trocas são bem estimulantes, mas se tiver uma única dupla, também é especial.

Em aulas no Chidananda Yoga em São Paulo, cheguei a dar aulas para até 6 duplas, mas as mães tinham feito aula durante toda a gestação e já havia uma conexão especial com as mães e com os bebês... a meu ver, isso é um facilitador especial!



Sugiro grupos de 2 a 5 meses, mais ou menos e grupos de 6 a nove meses...


As mães, nesse primeiro ciclo de pós-parto, têm uma demanda maior, para sua reintegração.

É importante saber se o parto foi cesário, pois vai requerer mais cuidados na reconexão do ventre e baixo-ventre nas primeiras aulas. É fundamental estimular a respiração Ujjyai, o acesso ao eixo e os bandhas para essa reconexão.

Essas práticas também estimulam a sensação de sustentação, do físico ao sutil.
No parto vaginal, esses cuidados também se fazem importantes, mas não há a fragilidade da cirurgia.

- É fundamental o bom senso do professor nessas práticas.
- Fazer “mais” não é uma boa dica para o começo desse resgate, o acesso à interiorização através dos olhos fechados e a consciência da respiração é uma grande conquista!
- Sentir o abdômen em posturas com o ventre apoiado em uma almofada ou nas suas coxas,pode ser uma redescoberta de seu espaço, de ter o seu abdômen de volta. É comum as mães sentirem a saudade da barriga, assim, estimular essa reconexão com o seu corpo, seu ventre, é especial.



- Também posturas com os bebês que acesse a energia do abdômen, aos poucos, são estimulantes para a dupla.

- Trabalhar mulabandha e uddyana bandha com a consciência no eixo.
- Orientar práticas em que a mãe possa sentir as costas no solo para a acomodação e realinhamento da coluna, soltura dos ombros e escápulas e também posturas de acesso ao alinhamento dos pés aos quadris.
- Em posturas de pé, sentada ou deitada com levantamento pélvico, estimular esse reencaixe dos quadris, sempre acessando os bandhas. Isso é bastante importante, pois independente do tipo de parto, os quadris registram a informação de expansão, abertura e muitas vezes a mulher não se dá conta.



- Dar esse comando de reencaixe, realinhamento dos quadris com os bandhas é importante para evitar até mesmo processos de incontinência urinária.
- Estabeleça sequencias de técnicas respiratórias e posturas curtas, para que a mãe possa se perceber antes de voltar sua atenção ao bebê. A qualidade dessa integração é bem especial, quando a mãe se percebeu e já eliminou alguns excessos.
- Busque gerar inicialmente posturas simples que trabalhem os movimentos da coluna ( ver texto no blog)
- Trabalhe posturas que liberem os ombros, lembre-se de que a mãe leva o bebê no colo para várias funções e muitas vezes só se dá conta desse novo sobrepeso através das dores nas costas.
- Trabalhe técnicas respiratórias de acesso ao ventre, ativando a energia do CORE. Kappalabhati e BhastriKa são bem-vindas para limpar a mente e liberar emoções.
- técnicas respiratórias tranquilizadoras são sempre bem-vindas, especialmente antes do relaxamento.
- Relaxamento conduzido com a visualização de partes do corpo para a liberação pode ser bem eficaz.

Para os bebês, coloca-los próximos uns dos outros, facilita a dinâmica de estímulos externos, além dos sons. A percepção do outro, especialmente após os 2 meses, 3, é bastante especial.
É importante observar os bebê, após o 4º mês, que muitas vezes querem tocar o outro bebê, mas não têm noção de força e local. O olho do “amiguinho” é bem chamativo.

Já falamos em outros textos do blog sobre estímulos sonoros, toque nos pés e também estímulo visual, hoje pontuo essa interação que é bastante estimulante para os pequenos.

Na sua condução das aulas mamãe e bebê lembre-se de estimular a tranquilidade e bem-estar da mãe para que ela transmita essa sensação ao bebê, que é bastante perceptivo da energia da mãe.
Lembre-se também de estimular a mãe a se perceber e continuar em casa, especialmente práticas respiratórias com os olhos fechados.

Gosto de citar o exemplo do avião: “primeiro coloque a máscara em você para depois colocar na criança ou pessoa de sua dependência”.

O autocuidado da mãe é fundamental para que possa dar a atenção adequada e curtir o seu bebê, liberando os excessos que fazem parte do pós-parto.
Essa aula tem uma vibração de muito amor e entrega...

Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/



segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Adaptações nas aulas para gestantes: um olhar especial



O olhar especial do instrutor é muito importante nas aulas de yoga para gestantes. Gerar adaptações seguras de acordo com o período gestacional é fundamental.

Ainda que a gestante seja praticante de yoga, deve-se considerar o espaço ventral e as alterações de hormônio.
Assim, perceber a energia da postura e buscar um apoio para que a gestante sinta com segurança o que o professor quer transmitir através da postura psicofísica escolhida, deve ser o propósito, para que sinta os benefícios da prática.

Lembre-se, por exemplo, de que posturas que trazem aterramento, trazem também sensação de sustentação, de firmeza, que pode ser percebida em pontos do corpo da gestante e também como sensação na mente e emoções. Trabalhar a consciência do períneo para essa percepção é fundamental.

Conquistar, mesmo que com apoio, uma postura aérea em um dia mais agitado pode ser uma percepção bastante especial para a gestante!

Adaptar as posturas, não significa “fazer menos” e sim, sentir melhor os benefícios, com mais segurança.

É sempre importante o professor de Yoga para gestantes se lembre de que está orientando e também cuidando de dois seres em constante transformação... às vezes a mãe demora um pouco para “aceitar” ou "perceber de forma consciente as oscilações naturais, as acomodações e acolhimentos que a gestação sugere, mas o professor deve ter esse olhar atento.

Para as práticas de yoga para gestantes, lembre-se sempre de trazer o foco ao eixo interno e técnicas respiratórias e de visualização que sugiram o retorno a esse eixo. (busque no blog esses textos sobre eixo interno e técnicas respiratórias)

Proponha-se a oferecer posturas que trabalhem a consciência sobre os movimentos da coluna que constitui um eixo bastante importante a ser observado (Texto sobre os movimentos da coluna)

Faça as adaptações necessárias para as gestantes. Talvez você precise dar sequências sentadas naquele dia, mas se a disposição das praticantes for boa, sugira posturas de equilíbrio e aterramento também de pé para ativar a sustentação, como variantes adaptadas de Virabhadrasana, Vrkshasana, Utthita e Parivrta Trikonasana.
Vão ajudar em várias ativações e alongamentos.

 Nesta imagem as gestantes passaram do Virabhadrasana I para uma torção com expansão do centro do peito. Bastante consciência na percepção expansão e aterramento. A ativação do períneo também é importante, seja associada à respiração ou como sensação de sustentação.

 Este é um exemplo de adaptação de Trikonasana. Com o apoio da cadeira, podem sentir os benefícios da postura fazendo a variante de alinhamento ou torção. A percepção do aterramento e sustentação são melhor ativados quando sentem o apoio.


 Nesta variante de Trikonasana com apoio na parede, as gestantes podem fazer várias percepções, desde expansão do centro do peito e liberação dos ombros, até o aterramento no períneo e planta dos pés. Pode ser feita em movimento com a variante de torção. (Você encontra o vídeo no blog)


Nesta imagem, uma variação de Parivrtta Trikonasana em movimento, para soltar a parte superior do corpo, sem perder de vista o aterramento.



Lembre-se também das posturas clássicas como Catuspadasana e as variantes de ativação das pernas e pés que pode adaptar.




Para a prática do Suryanamaskara, lembre-se de que não é adequada no primeiro trimestre e após o 6º mês, mesmo que a gestante seja praticante, por conta das alterações hormonais. Entre o 6º mês e o início do último trimestre é mais uma questão de adaptação ao sobre peso e no último trimestre, especialmente após a 30ª semana, temos novamente as oscilações hormonais que podem interferir na pressão arterial para o alto e para baixo.

- Lembre-se de que cada mulher tem uma história única e a gestação é sempre uma dupla!

- Lembre-se de que você sugere a prática segura, pois está cuidando e não praticando.

- Lembre-se de evitar o hiperaquecimento ventral a partir de técnicas respiratórias e sugestão de posturas.


Assim, sugira adaptação para o Caturanga dandasana, com a colocação dos joelhos no solo. Sugira também, adaptações com a cabeça ( que não deve descer) e flexão de joelhos nas posições semi-invertidas, pois não são recomendadas especialmente por conta das alterações hormonais.

Pessoalmente eu prefiro indicar a adaptação do suryanamaskara de parede (não há contra-indicações), ou o clássico com mais respirações conscientes em cada passagem e com adaptações em Ashwa sanchalasanana (afastamento da perna da frente e joelho oposto no solo), evitar passagem pela posição ashtangasana, bhujangasana (com joelhos no solo) e parvatasana (com joelhos no solo ou com a cabeça erguida e olhar fixo a frente), mas o professor precisa avaliar uma série de fatores, na condução da prática, dentre eles, a expectativa e histórico da gestante.

Conduza a percepções de interiorização, pois muitas alterações estão acontecendo dentro da mulher e no desenvolvimento do seu bebê... A mulher se transformar em mãe, já é um grande desafio...
Quanto mais acessar seu estado natural de tranquilidade, segurança e bem-estar, melhor acomoda todas as sensações...

O relaxamento conduzido é fundamental! Sugira percepções pelo corpo e propósitos de tranquilidade e segurança...
Lembre-se de que o bebê se desenvolve no Manipura chakra e faz parte da “jóia” que a mãe está cultivando como propósito!

Lembre-se de sua responsabilidade em cuidar, em perceber com um olhar especial os aspectos sutis da gestação...

Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/




sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Yoga casais grávidos – posturas de apoio



Já falamos da importância desta parceria na gestação e do valor do pai saber como apoiar em várias situações que incluem a reta final, parto e pós-parto.

Hoje vamos mostrar variantes de posturas que ajudam na prática do casal, na dinâmica de apoio, desde o início da gestação.
Do físico ao sutil, as posturas têm de ser construídas com equilíbrio entre a dupla, fazendo com que ambos exercitem o potencial psicofísico dessas posturas.



Essa preparatória é especial, com a conexão do olhar.

A pressão das mãos é fundamental para o posicionamento dos ombros e para conduzir a energia das escápulas às mãos, distensionando a região superior do corpo. 

Lembre-se de que o casal deve construir junto essa consciência, dosando a força com que pressiona as mãos.
O posicionamento das pernas também é importante para o equilíbrio e ativação adequada dos quadris aos pés, gerando aterramento, ancoragem.

A partir desta posição base, pode-se fazer variantes do Guerreiro - Virabhadrasana  e também do Triângulo - Trikonasana


Essa é a construção do Utthita trikonasana com uma expansão lateral e de espaços internos, que pode ser mais estimulada com as respirações aprofundadas e ativação dos braços e mãos. Sempre com a consciência no equilíbrio do casal.
 A torção (parivrtta) também pode ser feita, elevando os braços que estão para baixo e descendo, os que estão para o alto. O fundamental para acessar o benefício da posição, é o equilíbrio, especialmente no movimento conjunto.

Na condução de INSPIRAR E EXPANDIR E EXALAR E ATERRAR gosto de sugerir essa expansão de espaços internos para o novo e liberação de desconfortos, que vão do físico ao sutil.

Pode-se liberar a tensão dos ombros e feições do rosto, mas também pode-se pensar em liberar o medo ou agitações mentais desse momento da gestação do casal...


 Essa é uma variante que pode também ser feita na parede, para alongar todo o tronco, braços e pernas. Lembre-se da consciência na ativação da coluna! 
Até o alongamento do ciático pode ser feito com essa variante.

Na gestante, a soltura dos excessos de peso também podem ser trabalhados com respirações ventrais.

O casal pode fazer um profundo alongamento, ativando ora mais uma lateral, ora mais a outra, em comum acordo para o equilíbrio da dupla.

A condução das posturas acessando a parceria na construção do equilíbrio e nos pontos de apoio do corpo são especiais para que essas sensações de equilíbrio, apoio e bem-estar sejam sentidas pelos dois.

O trabalho da conscientização e ativação do períneo também pode ser feita com a respiração, nessas posturas:
Inspirar e expandir, exalar até ativar o períneo e sentir a planta dos pés.

Além das dinâmicas de massageamentos que já explicamos em posts anteriores, a construção das posturas em dupla é um ótimo exercício, que pode ser um estímulo diário à cumplicidade e ao bem-estar do casal, nesse momento tão especial!

Muitas vezes os meninos não percebem o acúmulo de tensões que carregam, especialmente relacionados às emoções da vinda do bebê e alguns excessos de trabalho, por exemplo. Essas dinâmicas são muito eficazes para a conscientização e liberação dessas tensões.

Yoga casais grávidos: pratique consciência com integração!
Namastê!

Cristiani W. Bez Matsuoka
(48) 99167-6361
@cristianiw.bez
Professora de Yoga para gestantes em Florianópolis – SC
Yogashala Brasil – Centro – https://www.yogashala.com.br/
Yogaluz – Santa Mônica - http://www.yogaluz.com.br/